Tegucigalpa, 22 set (EFE).- Pelo menos três dirigentes da frente de resistência popular que acompanhavam o deposto presidente hondurenho, Manuel Zelaya, conseguiram sair da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa e agora estão refugiados em casas particulares.

Assim informou hoje à Agência Efe o dirigente camponês Rafael Alegria, um dos coordenadores da frente nacional de resistência contra o golpe de estado, que estava entre os que acompanhavam a Zelaya na embaixada brasileira, onde o deposto governante se encontra desde segunda-feira.

Alegria disse que ele e dois de seus companheiros de movimento, os sindicalistas Juan Barahona e Israel Salinas, estão "fora de perigo" após sair ontem à noite da sede diplomática.

Explicou que decidiram deixar por sua conta a embaixada do Brasil, porque foram alertados de que o Exército e a Polícia colocariam um cerco sobre o edifício e, como dirigentes da resistência, precisavam ficar com os manifestantes para continuar coordenando as ações para a restituição de Zelaya no poder.

"Estou em uma casa particular de uma família que teve o gesto de abrir as portas e me oferecer proteção", disse Alegria, sem precisar em que lugar da capital hondurenha ele está protegido, nem onde estão Barahona e Salinas.

Acrescentou que, após a saída da embaixada dele e dos outros acompanhantes de Zelaya, em um automóvel, alguns policiais os perseguiram de moto e fizeram vários disparos, mas ninguém ficou ferido.

"O povo continuará na resistência", apesar do toque de recolher imposto pelo Governo de Roberto Micheletti e dos controles nas estradas para impedir que os simpatizantes de Zelaya cheguem a Tegucigalpa para fazer manifestações, disse.

Pelo menos 150 pessoas foram detidas pela Polícia, cerca de 100 por violar o toque de recolher e os outros por participar de distúrbios que ocorreram após a desocupação da embaixada, segundo uma fonte policial. EFE gr-lam/an

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