Dirigentes iranianos exigem que líderes da oposição sejam castigados

Dirigentes iranianos exigiram neste domingo que os líderes da oposição, entre eles o ex-presidente Mohamad Khatami - que encabeçaram os protestos contra a reeleição de Mahmud Ahmadinejad - sejam castigados por tentar lançar uma revolução contra a República Islâmica.

AFP |

Yadwolá Khavani, dirigente dos Guardiães da Revolução (Pasdaran), pediu que sejam julgados e castigados o ex-presidente reformista Khatami e os dois candidatos da oposição, Mir Hossein Musavi e Mehdi Karubi, por seu papel nas manifestações em massa que, segundo Teerã, deixaram 30 mortos.

Segundo Khavani, chefe do birô político do exército ideológico do regime iraniano, no Irã houve uma conspiração destinada a realizar uma "revolução de veludo" contra a República Islâmica.

"Qual é o papel de Khatami, Moussavi e Karubi neste golpe de Estado? Se são os instigadores, e esse é o caso, os responsáveis pela justiça e segurança deveriam detê-los, julgá-los e castigá-los para apagar os fogos deste complô", afirma Javani em um artigo publicado na Sobhe Sadegh, a revista semanal do birô político dos Guardiãs da Revolução.

Outro militar também pediu medidas contra "os chefes do complô".

"Os cidadãos e também os elementos vendidos (aos estrangeiros) e os instigadores deste complô esperam para ver como atuará o poder contra os chefes do golpe de Estado", declarou, segundo a agência oficial Irna, o general Masud Jazayeri, subchefe do Estado-Maior encarregado dos temas culturais e da propaganda.

"É evidente que o julgamento dos principais instigadores dos distúrbios recentes terá um papel determinante para neutralizar os eventuais complôs no futuro", acrescentou.

Khatami, Moussavi e Karubi pediram a anulação das eleições de 12 de junho nas quais o presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad foi reeleito por considerá-las fraudulentas.

Khazayeri também pediu mais controles sobre as embaixadas, um dia depois do julgamento da jovem francesa Clotilde Reiss e de dois funcionários locais das embaixadas britânica e francesa.

Durante esse julgamnto, o iraniano Hossein Rasam, analista político da embaixada britânica, foi acusado formalmente de espionagem.

A imprensa conservadora iraniana também criticou neste domingo o papel das capitais ocidentais, em particular Londres e Paris, nos protestos contra a reeleição de Ahmadinejad.

"Na ata de acusação, Grã-Bretanha, França e Alemanha foram designadas como os apoios da tentativa de derrubada suave do poder islâmico", afirma o jornal conservador moderado Tehran-e-emrouz.

Os jornais reproduzem as declarações de Clotilde Reiss, que declarou ter redigido um informe sobre as manifestações para um instituto subordinado à embaixada francesa e pediu perdão por isso.

Paris voltou a exigir neste domingo a libertação de Reiss.

"Dirijo-me com veemência às autoridades iranianas: as acusações contra a jovem não se mantêm, e Clotilde Reiss não é culpada de nada", declarou o ministro das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

"Queremos, exigimos, desejamos sua libertação imediata", insistiu.

Reiss compareceu no sábado ante o tribunal de Teerã, que realiza o julgamento em massa dos manifestantes que participaram nos protestos contra a reeleição do presidente Mahmud Ahmadineja, e pediu perdão às autoridades, informou a agência iraniana Isna.

"Peço perdão ao país, ao povo e ao tribunal do Irã e espero que me indultem", afirmou ante o tribunal. "A presença na prisão é dura, mas meus guardiães e os agentes encarregados de realizar os interrogatórios não se portarem mal comigo e não tive problemas particulares na prisão", declarou ainda, mencionando a pressão psicológica em que se encontra.

A francesa, de 24 anos, foi detida em 1o. de julho passado.

Sua presença este sábado no banco dos réus - junto a uma funcionária local da embaixada da Frnaça, um funcionário local da embaixada britânica e dezenas de outras pessoas julgadas por seu papel nas manifestações pós-eleitorais - surpreendeu os meios diplomáticos e seus familiares.

Segundo a Isna, a universitária é acusada de escrever um relatório sobre as manifestações na Universidade de Ispahan (centro) e de ter incentivado os protestos.

Indagada sobre o relatório que escreveu, ela afirmou que o mesmo não se tratava de um texto técnico para a Organização de Energia Atômica francesa e sim um documento sobre a política e a sociedade iranianas.

As pessoas julgadas correm o risco de serem condenadas a mais de cinco anos de prisão. Os réus considerados culpados de serem "mohareb" (inimigos de Deus) podem ser condenados à pena de morte.

sgh/cn

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