Dirigentes de facções libanesas vão ao Catar para retomar diálogo

Cairo, 16 mai (EFE).- Os dirigentes das facções libanesas foram nesta sexta-feira ao Catar para retomar o diálogo e encontrar uma saída para a crise de seu país, após os confrontos da última semana que ressuscitaram o fantasma da guerra civil.

EFE |

A reunião foi marcada no pacto firmado ontem à noite, em Beirute (capital do Líbano), entre as partes, quando concordaram em colocar fim aos combates e se comprometeram a não recorrer mais às armas, com a mediação de uma delegação da Liga Árabe.

Para Doha, viajaram responsáveis políticos de 14 facções da maioria e da oposição parlamentar libanesa, que devem iniciar esta noite as conversas para solucionar a crise, segundo a rede de televisão catariana "Al Jazeera".

Antes de se sentar à mesa de negociações, os responsáveis libaneses serão recebidos pelo emir do Catar, Hamad Bin Khalifa al-Thani, que realizará um jantar para seus convidados.

Entre os representantes da maioria parlamentar estão o primeiro-ministro Fouad Siniora, o ex-presidente Amin Gemayel, o líder druso Walid Joumblat e o dirigente da Corrente Futuro, Saad Hariri.

Pela oposição, viajaram o líder cristão Michel Aoun e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, entre outros.

O secretário-geral do grupo xiita Hisbolá, Hassan Nasrallah, não foi ao Catar por motivos de segurança. Em seu lugar, enviou o chefe de seu grupo parlamentar, Mohammed Raad, e o ministro demissionário de Recursos Hídricos, Mohammed Fneich.

A agenda da reunião inclui temas essenciais como a formação de um Governo de união nacional e a reforma da lei eleitoral, segundo anunciou o ministro de Exteriores catariano, Hamad Bin Jassim Bin Jabr al-Thani, chefe da equipe mediadora da Liga Árabe.

Quanto à eleição de um chefe de Estado para o país, o ministro catariano expressou sua esperança que se eleja "dentro de poucos dias" o presidente de consenso, em referência ao comandante-em-chefe do Exército libanês, o general Michael Suleiman.

Antes de partir hoje rumo ao Catar, Gemayel disse à rede de televisão LBC que a base de qualquer acordo é a consolidação da autoridade do Estado.

"Se não alcançamos um entendimento relativo às relações do Hisbolá com o Estado, não poderá haver progresso", disse.

Siniora disse em comunicado que "a violência aumenta a separação entre os libaneses e faz perder a confiança naqueles que utilizam as armas, sem que estes alcancem seus objetivos".

"Vamos a Doha com a esperança de retornar com um acordo que nos permita olhar para frente", acrescentou o primeiro-ministro.

Além disso, Raad afirmou ao jornal libanês "As Safir" que a oposição não irá ao Catar para voltar sem um acordo, já que suas "intenções para conseguir uma solução são boas e sérias".

Alguns libaneses já estão tão cansados da situação do país que manifestantes se reuniram no aeroporto para se despedir dos responsáveis políticos com cartazes onde se lia "Se não fizerem acordo, não retornem".

O Líbano está sem presidente desde 24 de novembro do ano passado, quando terminou o mandato do chefe de Estado anterior, Émile Lahoud, diante da incapacidade do Parlamento de escolher um sucessor por conta das divergências entre a maioria anti-Síria e a oposição pró-Síria.

Em 5 de maio, começaram os confrontos entre partidários de ambos os grupos, após o que o Hisbolá considera como "uma declaração de guerra" que é a decisão do Governo de acabar com sua rede de telecomunicações e de demitir o chefe de segurança do aeroporto de Beirute.

Pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas durante esses combates, que cessaram depois que o Governo decidiu revogar as medidas adotadas contra o grupo xiita.

No Líbano convivem várias comunidades religiosas, representadas em seu Parlamento, como os cristãos maronitas, os cristãos greco-católicos, os cristãos greco-ortodoxos, os armênios ortodoxos, os muçulmanos xiitas, os muçulmanos sunitas, os alauítas e os drusos. EFE ks/rb/ma

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG