Taipé, 24 set (EFE).- A dirigente uigur exilada Rebiya Kadeer, planeja visitar Taiwan em dezembro convidada por grupos independentistas, anunciou hoje uma rede de televisão local.

"Espero visitar Taiwan e estar com o povo taiuanês. Minha visita não é política", disse Kadeer para a rede de televisão TVBS.

A dirigente uigur assinalou que ainda não tinha solicitado o visto, mas que esperava que as autoridades taiuanesas se o concedessem.

Kadder fez estas declarações à imprensa taiuanesa em Washington, após um encontro com Freddy Lin, chefe de uma das organizações que a tinham convidado e cantor do grupo musical "Chthonic".

A visita Kadeer - convidada pelos grupos cívicos independentistas Guts United Taiwan e Corpo Juvenil Anticomunista de Taiwan - pode criar tensões entre Taipé e Pequim, como sucedeu com a do Dalai Lama no começo de setembro, assinalam observadores políticos na ilha.

Pequim, que considera a Kadeer a instigadora dos distúrbios de julho em Urumqi, capital da província de Xinjiang, já condenou a projeção na ilha de um documentário sobre a dirigente uigur.

"China não deve utilizar a projeção do documentário como uma desculpa para pressionar às autoridades taiuanesas e afetar a economia da ilha", apontou Kadeer.

A indústria hoteleira de Kaohsiung, cidade onde se projetou o documentário sobre Kadeer "As 10 condições do amor", se queixou perante o Governo municipal pelo documentário, devido a centenas de cancelamentos de turistas chineses.

Por sua parte, o opositor Partido Democrata Progressista (PDP) expressou seu apoio à estadia de Kadeer por meio de seu porta-voz Cheng Wen-tsang.

"O Governo deve protestar perante as pressões chinesas e o boicote ao turismo a Kaohsiung. Não há razão alguma para não permitir a visita de Kadeer", assinalou Cheng, em entrevista coletiva.

O jornal "Taipé Times" dedica seu editorial em defensa da visita do dirigente uigur.

"Não há razões legítimas para não permití-la, a menos que Taipé se humilhe perante pressões externas que ditem o que está permitido ou não dentro de nossas fronteiras", ressalta o diário.

Kadeer vive exilada em Washington desde que saiu de uma prisão chinesa em 2005 e nega haver tido intervenção alguma nos distúrbios de julho em Urumqi, nos quais morreram cerca de 200 pessoas, segundo as autoridades chinesas. EFE flp/fk

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