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Diretor-gerente do FMI pede Plano Marshall para reconstruir Haiti

Washington, 20 jan (EFE).- O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, pediu hoje um grande esforço internacional de reconstrução do Haiti similar ao Plano Marshall aplicado pelos Estados Unidos para a recuperação da Europa após a Segunda Guerra Mundial.

EFE |

O terremoto do último dia 12 é o evento mais recente de uma série de calamidades que atingiram o Haiti, incluindo o aumento de preços dos alimentos e do combustível em 2008, que provocou distúrbios, e os furacões desse mesmo ano.

Para que o Haiti se recupere de tudo isso, o país "precisa de algo grande", destacou Strauss-Kahn em uma entrevista à "IMF Survey Magazine", uma publicação da entidade.

Segundo o diretor-gerente, a ajuda concedida "de maneira pouco sistemática" não é suficiente, e o que é necessário é "uma espécie de Plano Marshall".

O assunto será discutido no próximo dia 25 durante uma reunião internacional em Montreal (Canadá) com a presença do primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive.

O encontro também servirá para planejar uma cúpula de alto nível sobre o Haiti, que será realizada nos próximos meses.

Enquanto isso, o FMI negocia com organizações e países doadores o cancelamento de toda a dívida externa haitiana.

De acordo com cálculos do Banco Mundial, o terremoto destruiu mais de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Atualmente, especialistas do FMI ajudam o Governo haitiano a reativar a circulação de dinheiro nas ruas para que as pessoas possam comprar alimentos e que os funcionários públicos recebam seus salários, disse Nicolás Eyzaguirre, diretor do departamento para a América da organização.

Alguns escritórios que recebem remessas reabriram suas portas e os bancos o farão em breve, mas o sistema de pagamentos ainda não está completamente operacional, explicou.

"Precisamos de toda ajuda urgente para que a economia do Haiti volte a funcionar. Todas as instituições estatais e governamentais sofreram danos", acrescentou o economista chileno.

O FMI prometeu ao Haiti um empréstimo sem juros no valor de US$ 100 milhões para que o Governo possa retomar suas atividades e pagar suas importações.

Strauss-Kahn disse que a entidade optou por oferecer um empréstimo ao Haiti porque aprovar uma doação levaria mais tempo.

Esse empréstimo também será perdoado caso o cancelamento de toda a dívida seja aprovado, algo que o diretor-gerente do FMI disse estar convencido de que acontecerá.

Em 2009, o FMI e outras organizações internacionais perdoaram US$ 1,2 bilhão de dívida haitiana. O Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) suprimiram desde então quase US$ 900 milhões que o Haiti devia a seus credores.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros da capital haitiana, Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

Entre os civis - além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado hoje que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras. EFE cma/bba

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