Diretora-geral da OMS defende gestão da pandemia de gripe A

Genebra, 18 jan (EFE).- A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, defendeu hoje a gestão que a organização fez da pandemia de gripe A, ao inaugurar o Conselho Executivo anual, marcado pelas crescentes acusações sobre uma suposta conivência com a indústria farmacêutica.

EFE |

Segundo Chan, "não haverá estimativas confiáveis sobre a taxa de mortalidade causada pela gripe A antes de um ou dois após o fim da pandemia".

Chan respondia assim às acusações de que a OMS, que em abril declarou a primeira pandemia do século XXI, alarmou excessivamente Governos e população para promover a venda de vacinas e remédios contra esta doença, que finalmente foi considerada benigna.

A indústria farmacêutica teria obtido lucros adicionais de US$ 10 bilhões graças às vacinas e remédios contra a gripe A, segundo estimativas.

"O fato de as populações não terem se vacinado reflete que temos um grande desafio em matéria de comunicação, tal como convencer as pessoas para que adotem comportamentos saudáveis", insistiu a responsável da OMS, organização agraciada no ano passado com o Prêmio Príncipe das Astúrias por sua gestão da gripe A.

Vários países ocidentais se encontraram com grandes reservas de vacinas inutilizadas e agora procuram vender os estoques. A Suíça, por exemplo, com menos de 8 milhões de habitantes, está tratando da pandemia com reservas de 13 milhões de dose da vacina que não foram utilizadas, mesma situação de outros países.

"A atitude dos Governos de pedir à população para se vacinar foi uma medida prudente e conveniente. O problema foi a diferença entre nossas expectativas e o que de fato ocorreu", ressaltou Chan.

A diretora assegurou que "quando for escrita a história sobre essa pandemia, os Governos serão reconhecidos pela rapidez das ações para proteger suas populações".

Em vista das crescentes críticas à gestão da OMS sobre esta pandemia, a OMS anunciou na semana passada que submeterá a uma avaliação externa sua atuação, mas não definiu quando nem como esse procedimento ocorrerá.

A crítica mais grave foi a moção apresentada pelo presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, um médico epidemiologista alemão, para investigar se houve conflito de interesses entre a OMS e as farmacêuticas.

Wodarg qualificou os fatos como "o maior escândalo médico do século", e acusou os laboratórios farmacêuticos de "terem organizado uma psicose".

E o que é mais grave, Wodarg acusou a entidade de manter relações impróprias com essas empresas, ao afirmar que "um grupo de pessoas da OMS está associada de maneira muito estreita à indústria farmacêutica". EFE is-vh/sa

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