Diretora de ONG de observação eleitoral é detida na Rússia

Na véspera das eleições, diretora da Golos fica presa por 12 horas em aeroporto ao se recusar a entregar computador para alfândega

iG São Paulo |

Lilia Shibanova, diretora da ONG russa Golos, que defende o exercício do direito ao voto, foi detida neste sábado na alfândega do aeroporto Sheremetyevo, em Moscou, por 12 horas, informou a imprensa local.

A própria ativista disse à agência de notícias Interfax que foi detida ao chegar num voo procedente de Varsóvia, na Polônia, por agentes alfandegários que tentaram apreender seu computador portátil.

Leia também: Candidatura de Putin cansa eleitores russos

AP
Autoridades eleitorais preparam colégio eleitoral em Moscou para a votação deste domingo

Shibanova indicou que, diante dessa situação, entrou em contato com o escritório da Golos para que a entidade enviasse um técnico que copiasse os dados de seu computador antes que ele fosse apreendido pelos agentes alfandegários. "Temo que possam usar meu computador para montar uma provocação".

Segundo a agência Associated Press, Lilia foi solta quando resolveu, por fim, entregar seu computador às autoridades.

Ela vinculou o incidente ao propósito das autoridades russas de impedir sua participação nas audiências que o Parlamento Europeu realizará no próximo dia 7 sobre as eleições parlamentares russas desse domingo.

Nesta sexta-feira, um tribunal de Moscou sentenciou a Golos a pagar uma multa de 30 mil rublos (cerca de R$ 1,7 mil) por publicar mais de 4,5 mil relatórios de supostas táticas ilegais nas campanhas eleitorais para o pleito parlamentar deste domingo. A corte entendeu que, com isso, a ONG violou a legislação russa.

O presidente da Comissão Eleitoral Central da Rússia, Vladimir Churov, acusou a Golos de fazer campanha contra o partido governista Rússia Unida.

As ações judiciais contra a ONG foram criticadas pelo governo dos Estados Unidos, que acusou as autoridades russas de manter uma "pauta de assédio" contra a entidade.

Os relatórios foram feitos durante a última campanha e a maior parte deles estavam ligados à Rússia Unida, partido que domina o Kremlin e apoia o premiê Vladimir Putin. Cerca de um terço deles – vindos principalmente de testemunhos de funcionários do governo e estudantes – dizia que empregados e professores os estavam pressionando a votar no partido.

O grupo está sob pressão desde domingo, quando Putin acusou os governos ocidentais de tentarem influenciar as eleições através de seus fundos. A Golos, cujo nome significa “vote”, é apoiada por concessões dos EUA e da Europa.

A Rússia Unida domina a vida política da Rússia e recebeu uma cobertura favorável durante a campanha, principalmente por meio da televisão nacional, controlada pelo Kremlin. Mas o partido está agradando cada vez menos, visto pela população como um representante da corrupção e da burocracia e muitas vezes chamado de “partido dos vigaristas e ladrões”.


Somente sete partidos aprovados pelo Kremlin tiveram permissão de inscrever seus candidatos para as eleições parlamentares desse ano, enquanto grupos de oposição mais ferrenhos foram impedidos de se registrar e barrados de fazer campanha.

O Kremlin está determinado a ver a Rússia Unida mantendo sua maioria parlamentar. O presidente Dmitri Medvedev e Putin fez seus apelos finais para o partido na sexta-feira, alertando que um Parlamento feito por diferentes vozes políticas seria incapaz de fazer decisões.

Putin precisa que seu partido se saia bem nas eleições parlamentares para traçar seu caminho rumo às eleições presidenciais daqui a três meses.

Com EFE e AP

    Leia tudo sobre: rússiaputinmedvedeveleiçõesrússia unida

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG