Nova York, 11 ago (EFE).- O diretor financeiro da empresa de Bernard Madoff e seu braço direito durante três décadas, Frank DiPascali, assumiu hoje a culpa por dez crimes relacionados com a fraude que levou seu chefe à prisão e afirmou que mais gente sabia sobre os delitos.

Em um tribunal de Nova York, DiPascali aceitou as acusações que a Procuradoria tinha contra si e que o identificavam como ajudante de Madoff em sua tentativa de manter o gigantesco esquema de pirâmide, avaliado em US$ 65 bilhões, com o qual roubou milhares de seus clientes de todo o mundo.

Na frente do juiz Richard Sullivan, DiPascali contou que ajudou "a falsificar documentos para a SEC (comissão de valores mobiliários americana) e para os clientes". Ele também reconheceu ter cometido crimes como lavagem internacional de dinheiro e falsificação de arquivos.

"Sinto muito. Sei que minhas desculpas não servem para muita coisa", acrescentou o homem de 52 anos, que pode ser condenado a 125 anos de prisão.

No entanto, o que mais surpreendeu em sua declaração é a admissão de que, além dele, havia mais gente que sabia da fraude.

"Eu sabia e outros sabiam que não havia transação alguma" na empresa de Madoff, disse DiPascali em seu depoimento.

Esta é a primeira vez em que alguém cita o envolvimento de mais gente nesta trama. Até agora, Madoff se preocupou em deixar claro que só ele conhecia a fraude.

DiPascali se declarou culpado depois que a Procuradoria e seus advogados chegaram a um acordo pelo qual o ex-funcionário de Madoff ficará em liberdade com o pagamento de uma fiança de US$ 2,5 milhões até maio, quando saberá sua sentença.

Com sua confissão, DiPascali será a terceira pessoa, além de Madoff e de seu contador, David Friehling, considerada culpada por ter participado da maior fraude da história do mercado financeiro americano.

O FBI (Polícia federal americana) estaria investigando até outras dez pessoas relacionadas a Madoff, segundo informações divulgadas no final de junho.

Madoff está preso desde o dia 14 de julho. Ele foi condenado a 150 anos de prisão. EFE dvg-mgl/bba

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