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Diretor do FMI defende um Plano Marshall para o Haiti

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, propôs nesta quarta-feira que o mundo crie um novo Plano Marshall para promover a reconstrução do Haiti.

BBC Brasil |

Em entrevista à rede de televisão americana CNN, Strauss-Kahn disse que o país caribenho precisa de um grande esforço de ajuda financeira internacional para superar essa fase.

"Minha crença é de que o Haiti, que tem sido incrivelmente atingido por diferentes fatores - a crise da alta no preço dos alimentos e dos combustíveis, depois o furacão, então o terremoto -, precisa de algo grande. Não apenas uma ação fragmentada, mas algo muito maior para lidar com a reconstrução do país: um tipo de Plano Marshall é o que precisamos implementar agora no Haiti".

Strauss-Kahn se referia ao plano adotado pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial para auxiliar na reconstrução da Europa, que havia sido devastada pelo conflito.

Empréstimo

O FMI já se comprometeu em emprestar ao Haiti US$ 100 milhões sem juros. Perguntado sobre os motivos que levaram a entidade a não doar esses recursos ao país, o diretor explicou que um empréstimo era a maneira menos burocrática e, portanto, mais rápida de repassar recursos.

"Nesse caso, a questão era: nós iríamos ficar sem fazer nada ou iríamos fazer o empréstimo? Decidimos pelo empréstimo, mas sem juros, com um longo prazo para pagamento", explicou.

Strauss-Kahn disse também que a instituição está tentando zerar as dívidas haitianas.

"O mais importante é que o FMI está agora trabalhando junto aos credores (do Haiti) para tentar apagar todas as dívidas haitianas, incluindo esse nosso novo empréstimo", disse.

"Se formos bem-sucedidos, e tenho certeza de que seremos, até esse nosso empréstimo se transformará em uma doação, porque todos os débitos do país terão sido cancelados. E isso é muito importante para o Haiti agora".

O rápido repasse dos US$ 100 milhões, segundo o diretor, servia inicialmente para salvar vidas. "A urgência hoje é por salvar vidas. A urgência em algumas semanas será pela reconstrução".

Economia haitiana

Nicolas Eyzaguirre, diretor do Departamento para o Hemisfério Ocidental do FMI, fez uma estimativa do prejuízo causado pelo terremoto no Haiti.

"Nós comparamos este evento aos furacões em 2008, cujos prejuízos para o país foram estimados por nós em 15% do PIB, o equivalente a US$ 900 milhões. O impacto deste terremoto pode ser muito maior, mas ainda há muita incerteza quanto a isso", disse.

Por isso, a retomada da atividade econômica no país é tão importante, segundo Eyzaguirre.

"Nós precisamos ajudar o Haiti a colocar sua economia para funcionar novamente. Todas as instituições públicas foram muito afetadas. Bancos foram destruídos e o sistema de pagamentos interrompido", disse.

"O FMI, em coordenação com outras instituições, está auxiliando as autoridades a colocar o dinheiro para circular na economia, para que as pessoas possam comprar comida e os funcionários públicos voltem a receber salários", afirmou.

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