Diretor do FBI ataca libertação de condenado por Lockerbie

O diretor do FBI, a polícia federal americana, Robert Mueller, fez duras críticas ao secretário de Justiça escocês, Kenny MacAskill, por causa da libertação do único homem condenado pelo atentado de Lockerbie. O líbio Abdelbaset Ali al-Megrahi, de 57 anos, foi condenado à prisão perpétua em janeiro de 2001 por ter participado do ataque a bomba contra o voo 103 da Pan American World Airways, que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie em 1988, matando 270 pessoas - 189 delas americanas.

BBC Brasil |

Ele foi libertado por questões humanitárias, já que tem câncer na próstata em estágio terminal, e imediatamente voltou à Líbia, onde foi recebido como um herói.

Em uma carta datada do dia 21 de agosto, o diretor do FBI disse que a decisão "faz piada com a justiça" e dá conforto a terroristas ao redor do mundo.

A carta também foi enviada às famílias das vítimas do atentado.

"Sua ação dá conforto a terroristas ao redor do mundo que agora acreditam que, apesar da qualidade da investigação, da condenação pelo júri após o réu ter direito a todo o processo, e da sentença apropriada ao crime, o terrorista será libertado pelo exercício de 'compaixão' de um homem", disse.

Críticas

Mueller, que foi o advogado do departamento de Justiça americano que liderou a investigação do atentado, em 1988, disse que não costuma comentar sobre as ações de outros promotores, mas que mudou de ideia após a libertação de al-Megrahi.

"Sua ação faz piada com as emoções e paixões de todos aqueles afetados pela tragédia de Lockerbie: os médicos que primeiro enfrentaram o horror de 270 corpos espalhados pelos campos ao redor de Lockerbie, e na própria cidade; as centenas de voluntários que caminharam pelos campos para resgatar destroços relacionados à destruição do avião; as centenas de agentes do FBI e da polícia escocesa que realizaram uma investigação sem precedentes para identificar os responsáveis; os promotores que trabalharam durante anos - em alguns casos durante toda uma carreira - para ver a justiça ser feita."

"Você deu a al-Megrahi uma 'recepção jubilosa' em Trípoli, segundo os relatos. Onde, eu pergunto, está a justiça?".

Um porta-voz do governo escocês disse que o ministro tomou a decisão certa pelos motivos certos com base em evidências claras e recomendações da comissão de liberdade condicional e do diretor da prisão.

"A libertação por compaixão não é parte do sistema judiciário americano, mas é parte do escocês", disse.

"O senhor MacAskil não poderia ter feito consultas mais amplas, ele conversou com as famílias americanas, o procurador-geral dos Estados Unidos, a secretária de Estado Hillary Clinton e muitos outros", afirmou o porta-voz.

"As autoridades americanas indicaram que, apesar de se oporem à transferência e à libertação por compaixão do prisioneiro, deixaram claro que preferiam a libertação por compaixão ao acordo de transferência, e o senhor Mueller deveria estar ciente disso."
O porta-voz disse ainda que o secretário da Justiça responderá à carta do diretor do FBI.

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