Diretor designado da CIA é sabatinado no Congresso

Leon Panetta, o diretor da CIA designado pelo presidente Barack Obama, responde nesta quinta-feira às perguntas do Congresso, que deve confirmar sua nomeação no comando de uma agência de inteligência com reputação arruinada pelo fiasco iraquiano e por controvertidos métodos antiterroristas.

AFP |

Leon Panetta, 70 anos, é um político considerado competente em questões orçamentárias, mas sem real conhecimento dos setores da inteligência e do contra-terrorismo. Sua designação motivou um certo cepticismo em Washington.

Ex-chefe de gabinete de Bill Clinton, este ex-parlamentar da Califórnia (oeste dos EUA), no Congresso de 1976 a 1992, era até então professor de políticas públicas na universidade californiana de Santa Clara.

A nova administração americana apostou na escolha de uma personalidade política em detrimento de um dirigente da inteligência para ajudar a restabelecer a credibilidade de uma agência abalada por vários escândalos, entre os quais a transmissão de informações errôneas sobre a presença no Iraque de armas de destruição em massa, que serviram de pretexto para a invasão deste país, decidida pelo ex-presidente George W. Bush em março de 2003.

Criada em 1947 e com sede em Langley, no estado de Virginia (leste dos EUA), a Central Intelligence Agency (CIA) também foi criticada pelo Congresso por não ter antecipado os atentados de 11 de setembro de 2001 e por ter aplicado os métodos controvertidos de luta contra o terrorismo autorizados pela administração Bush, como os voos secretos para Guantánamo, os grampos ilegais e técnicas de interrogatório consideradas como tortura.

Se for confimado no cargo, Panetta assumirá a CIA num momento em que Obama acaba de decretar o fim destas práticas e das prisões secretas.

"Os que apóiam a tortura acham que podemos submeter prisioneiros a atos de violência em certas circunstâncias sem trair nossos valores, mas isso não é verdade. Ou acreditamos na dignidade do indivíduo, na aplicação do direito e na proibição de castigos cruéis, ou não acreditamos. Não existe meio-termo", escrevia Panetta em coluna publicada no ano passado pelo jornal Washington Monthly.

Nesta quinta-feira, Leon Panetta pode ter que justificar os importantes lucros que recebeu no ano passado ministrando palestras e realizando consultorias.

De acordo com o Wall Street Journal, ele faturou 700.000 dólares em 2008, inclusive trabalhando para dois bancos americanos atingidos em cheio pela crise econômica: Merrill Lynch e Wachovia.

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