Diretor de TV venezuelana é libertado, mas proibido de viajar

CARACAS - Autoridades venezuelanas libertaram o diretor de uma estação de TV oposicionista na quinta-feira à noite, mas o proibiram de deixar o país enquanto transcorrer o inquérito sobre uma crítica que ele fez ao governo do presidente Hugo Chávez.

iG São Paulo |

Reuters
Zuloaga, em foto de 2009
Zuloaga, em foto de 2009
"Eu não ia fugir do país", disse Guillermo Zuloaga ao ser libertado em Caracas depois de ser detido no começo do dia, tentando embarcar em um jato particular que, segundo ele, o levaria para passar o feriado de Páscoa na ilha caribenha de Bonaire.

Ele e seu advogado disseram que ele havia recebido ordens para não deixar a Venezuela enquanto aguarda a investigação sobre a acusação de que vilipendiou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, durante um fórum internacional de mídia.

O empresário foi preso na manhã de quinta-feira no aeroporto de Falcón, no norte da Venezuela . O Ministério Público argumentou que a ordem de prisão foi emitida pelo temor de que Zuloaga tentasse fugir para não responder a um processo em que é acusado de ter feito declarações falsas contra Chávez no fim de semana.

A prisão de Zuloaga ocorreu um dia após o Congresso Nacional ter solicitado ao Ministério Público que fosse aberta uma investigação contra o empresário por "falsas declarações" feitas na reunião da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP).

No encontro, Zuloaga teria dito que Chávez ordenou que militares disparassem em manifestações que ocorreram durante o fracassado golpe de Estado de 11 de abril de 2002, quando 19 venezuelanos, entre chavistas e opositores, foram assassinados por franco-atiradores.

"Esse cidadão afirmou que o presidente da República ordenou os disparos contra a manifestação. Isso é uma informação absolutamente falsa", afirmou à BBC Brasil o deputado Manuel Villaba, presidente da comissão de Meios de Comunicação no Congresso. "Os tribunais do nosso país já estabeleceram quem são os responsáveis por esses assassinatos e eles estão detidos", acrescentou.

Cerco à mídia

Juntamente com outros canais, a Globovisión, considerada como o principal canal opositor, é acusada pelo governo de ter participado do golpe de Estado, conhecido também entre os simpatizantes do governo como "golpe midiático".

A disputa entre o governo e a Globovisión, que se arrasta desde abril de 2002, ganhou força no ano passado. Em junho de 2009, a receita federal da Venezuela aplicou uma multa de US$ 2,2 milhões (cerca de R$ 4,98 mi) à Globovisión, alegando sonegação de impostos.

A aplicação da multa ocorreu pouco tempo depois do Ministério Público ter acusado Zuloaga de cometer delito ambiental por conservar em sua casa várias cabeças de animais silvestres empalhadas.

Um mês antes desse episódio, durante uma batida policial, foram apreendidos 24 automóveis zero km na casa do empresário. Na ocasião, o MP acusou Zuloaga de "usura" por "estocar" os carros em sua residência para, em seguida, revendê-los com preços mais altos.

Há três dias, o ex-governador do Estado de Zulia, Álvarez Paz, foi preso depois de acusar o governo venezuelano de colaborar com o narcotráfico em um programa do canal Globovisión.

*Com informações da Reuters e BBC

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