Diretor de prisão iraniana fechada por abusos é preso

Teerã, 9 ago (EFE).- O diretor do presídio de Kahrizak, ao sul de Teerã, foi preso depois de as autoridades iranianas terem admitido que estupros e outros tipos de abusos foram cometidos na casa de detenção.

EFE |

Em declarações recolhidas pela agência oficial de notícias "Mehr", o chefe da Polícia Iraniana, Ismail Ahmadi Moghadam, assegurou que também foram presos "três policiais que bateram nos detidos".

O presídio foi fechado no final do mês passado por ordem do líder supremo de revolução iraniana, aiatolá Ali Khamenei, depois de informações sobre atos de tortura contra os presos.

Muitos dos detidos durante os protestos que explodiram no país após a polêmica reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em 12 de junho, foram levados para Kahrizak.

Em comunicado divulgado na sexta-feira passada, a Polícia confirmou o registro de "violações" dos direitos dos presos e anunciou que seus responsáveis seriam julgados e punidos.

Apesar das explicações, o escândalo - que veio a público após a divulgação da morte em Kahrizak do filho de um colaborador do candidato conservador à Presidência, Mohsen Rezaei, - atingiu o próprio chefe da Polícia.

Em declarações divulgadas hoje pela "Mehr", o deputado Hamid-Reza Katuzian disse que as explicações de Moghadam não são convincentes.

"O comandante da Polícia é o responsável direto pelos eventos de Kahrizak", afirmou Katuzian.

"Estes fatos devem ser estudados sem ter em consideração as inclinações políticas das pessoas. As respostas da Polícia iraniana não nos convencem. O comando policial recebe informações diárias", acrescentou.

Além disso, o deputado iraniano reprovou o que chamou de falta de transparência no recente relatório policial, no qual "a identidade dos culpados sequer aparece".

"O fato de acusar um par de oficiais pelas agressões na prisão de Kahrizak não é suficiente, não devolve a vida aos jovens que morreram nesta prisão", acrescentou.

Em declarações divulgadas pelo diário reformista "Etemad Melli", o procurador-geral do Irã, Gorbanali Dorri Najafabadi, insistiu em que todas as medidas legais serão adotadas contra "aqueles que violaram a lei" no presídio. EFE msh-jm/bba

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