Diretor de ONG acusa novamente líder checheno de morte de ativista

Moscou, 18 jul (EFE).- O diretor da organização de direitos humanos Memorial, Oleg Orlov, rejeitou hoje pedir desculpas por ter responsabilizado o presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, pelo assassinato da ativista Natalia Estemirova.

EFE |

"Estou disposto a defender perante o tribunal e na investigação, caso comece um processo penal, as palavras que pronunciei", disse Orlov à agência "Interfax".

Orlov respondia à decisão de Kadyrov de processá-lo por envolver o presidente diretamente na morte, na quarta-feira, de Estemirova, ativista e jornalista que investigava há anos os abusos dos direitos humanos na região.

"Acho que é normal se Kadyrov decidir resolver uma situação conflituosa no marco do direito", comentou Orlov.

O advogado do líder checheno disse na sexta-feira que entraria com um "processo em defesa da honra, dignidade e reputação profissional do presidente da República da Chechênia".

O próprio Kadyrov, que também foi implicado então no assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, criticou, em conversa telefônica, Orlov por tê-lo acusado do crime.

"Suas afirmações sobre minha culpabilidade do ocorrido são, por dizer assim, antiéticas e muito estranhas. O senhor não é nem promotor nem juiz nem investigador", disse Kadyrov, segundo informou o serviço de imprensa da Presidência chechena.

Na quinta-feira, Orlov disse conhecer o culpado do assassinato de Estemirova: "Todos conhecemos este homem. Chama-se Ramzan Kadyrov e é o presidente da República da Chechênia".

O presidente russo, Dmitri Medvedev, elogiou a ativista por dizer a verdade e assegurou que sua morte "não ficará impune", mas disse ser "inaceitável" para o Kremlin acusar Kadyrov de estar por trás do assassinato.

O assassinato de Estemirova foi condenado unanimemente pela comunidade internacional, incluindo pelo Departamento de Estado americano e pela União Europeia, que pediram à Justiça russa que esclareça o caso.

Estemirova foi sequestrada na quarta-feira em Grozni, capital chechena, e seu corpo, com várias marcas de tiro na cabeça e no peito, foi abandonado perto de uma estrada na vizinha república russa da Inguchétia. EFE io/db

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