Diretor da inteligência de Obama vê oportunidades com o Irã

Por Randall Mikkelsen WASHINGTON (Reuters) - As agências norte-americanas de inteligência devem buscar a colaboração dos líderes muçulmanos e de países como o Irã em questões de interesse mútuo, disse na quinta-feira ao Senado o indicado pelo presidente Barack Obama para o cargo de diretor de inteligência nacional.

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Em audiência de confirmação no Senado, o almirante da reserva Dennis Blair também defendeu um rompimento com as políticas do governo Bush a respeito do tratamento dispensado a suspeitos de terrorismo.

"Identificar oportunidades e também ameaças é um equilíbrio extremamente importante a ser atingido pelas agências de inteligência", disse Blair à Comissão de Inteligência do Senado.

"Enquanto os Estados Unidos devem caçar esses terroristas que buscam nos fazer mal, a comunidade de inteligência também precisa apoiar as autoridades que estão buscando oportunidades de envolver e colaborar com influentes líderes islâmicos que acreditam e estão trabalhando por um futuro progressista e pacífico para a sua religião e os seus países", disse Blair.

A respeito do Irã, ele declarou: "Enquanto as autoridades precisam entender os líderes, as políticas e as ações antiamericanas do Irã, a comunidade de inteligência também pode ajudar as autoridades a identificar e entender outros líderes e forças políticas, para que seja possível trabalhar por um futuro para ambos os nossos interesses."

O governo Bush, encerrado na terça-feira, tentou isolar o Irã por causa do seu programa nuclear e do suposto apoio ao terrorismo, embora tenha mantido contatos limitados.

O ex-presidente George W. Bush também atraiu o ódio de muitos muçulmanos por causa da guerra no Iraque, dos abusos dos EUA contra suspeitos de terrorismo e da sua suposta inclinação por Israel.

Obama defende uma negociação com o Irã, e no seu discurso de posse prometeu melhorar as relações com o mundo islâmico.

Blair deve ser confirmado sem sobressaltos, mas alguns republicanos manifestaram preocupação com a ordem dada por Obama para desativar a prisão militar de Guantánamo e proibir a CIA de usar métodos agressivos demais em seus interrogatórios.

De acordo com Blair, o governo ainda está estudando formas de lidar com os prisioneiros que não sejam libertados nem entregues a outros países. Afirmou, porém, que desativar Guantánamo seria essencial para recuperar a imagem dos EUA no exterior.

Retomando uma idéia citada por Obama na posse, Blair disse que a solução para os presos de Guantánamo deve "ser leal aos nossos ideais e à nossa segurança". "A tortura não é moral, legal ou eficaz", acrescentou.

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