CARACAS - A televisão estatal venezuelana VTV mostrou nesta sexta-feira imagens do momento em que o diretor para as Américas da Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, foi informado de que tinha sido expulso da Venezuela e de quando entrou em um avião com destino a São Paulo em um vôo noturno da Varig.

Vivanco, com passaporte chileno, foi expulso quinta-feira à noite, horas depois da apresentação, em Caracas, de um relatório do grupo de defesa dos direitos humanos HRW com críticas ao Governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez.

A emissora "VTV" mostrou o momento em que, em um hotel de Caracas, um militar informou a Vivanco e a uma pessoa identificada como seu assistente, Daniel Wilkinson, com passaporte americano, da medida, de execução imediata.

O militar explicou que a decisão obedecia à violação dos termos de "expansão e recriação" que permite o visto de turismo com o qual Vivanco e Wilkinson entraram na Venezuela horas antes.

O vôo noturno da companhia aérea Varig em direção a São Paulo era o único com disponibilidade de assentos para essa hora e, por esse motivo, os dois embarcaram nesse mesmo, segundo mostraram outras imagens nas quais Vivanco pergunta para onde estaria sendo levado.


Vivanco foi expulso por Hugo Chávez / AP

O ministro das Relações Exteriores venezuelano, Nicolás Maduro, informou quinta-feira à noite da expulsão em declarações à imprensa estatal, quando Vivanco já estava "fora do espaço aéreo" do país, segundo disse.

Maduro afirmou que, tanto Vivanco como Wilkinson, subdiretor da HRW para as Américas, não poderão voltar ao país porque cometeram "graves violações" à Constituição e "às ordens que regulam a passagem de migrantes pela Venezuela em condição de turistas".

"Hoje, de forma abusiva e grosseira, o senhor Vivanco deu uma entrevista coletiva onde criticou as instituições da democracia venezuelana", explicou Maduro em referência ao relatório da HRW.

A medida de expulsão, conhecida inicialmente através de um comunicado da Chancelaria, está ajustada ao direito e ao estabelecido na Constituição Nacional da República, sustentou o chanceler.

A Constituição destaca "a obrigação e o dever de defender a soberania do país, assim como a dignidade das instituições e o povo venezuelano", e "o Governo fez o que tinha que fazer", acrescentou.

O ministro advertiu ainda que qualquer outra pessoa "a serviço de uma nação estrangeira que pretenda repetir um ato" como o de Vivanco e Wilkinson "receberá o mesmo tratamento".

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