Diretor da FAO pede a líderes ibero-americanos para estreitar cooperação

México, 27 out (EFE) - O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), Jacques Diouf, pediu hoje aos líderes que irão à 18ª Cúpula Ibero-Americana de El Salvador para estreitar a cooperação e tomar medidas para conter o aumento da desnutrição na região.

EFE |

O problema já afeta 51 milhões de latino-americanos, informou o líder da FAO.

"Espero que, na reunião, em dois ou três dias, os chefes de Estado e Governo da América Latina toquem neste ponto", ressaltou o funcionário internacional senegalês, de visita ao México.

Diouf lembrou que, devido à crise de alimentos e à alta de preços mundiais em 2007, houve um aumento de pessoas que passam fome de 6 milhões na América Latina, o que colocou o número de desnutridos perto do registrada no período 1990-1992, de 53 milhões de pessoas.

O responsável da FAO lembrou que a pobreza alimentar (extrema) na região caiu, naquele período e no de 2003-2005, quando o número diminuiu para 45 milhões.

No entanto, reconheceu que a tendência se inverteu e agora a situação é difícil em um contexto complicado ainda mais pela crise financeira mundial, com 923 milhões de desnutridos no mundo, 5,5% deles na América Latina.

O diretor-geral da FAO parabenizou o México pelos esforços de coordenação com outros Governos da região para reverter esta situação.

Ele ressaltou que iniciativas regionais deste tipo são bem-vindas "no âmbito da decisão ibero-americana dos chefes de Estado de ter uma América Latina e um Caribe sem fome em 2025".

Sobre a evolução internacional dos preços dos produtos agrícolas, explicou que espera uma tendência de baixa nos próximos meses, mas evitou citar em que percentual ou prazo.

No entanto reconheceu que "o efeito da crise financeira vai ser visto em nível da demanda" muito em breve, já que fatores como altas no desemprego e quedas dos níveis de renda podem esfriar o consumo, tanto em países desenvolvidos quanto nos emergentes.

Finalmente, lamentou a falta de compromisso dos países nas cúpulas alimentares realizadas, já que comprometem fundos de maneira voluntária, mas não os entregam.

"Como é possível desenvolver um setor sem investimento, sem recursos?", questionou, e pediu aos Governos no mundo todo para "ter a vontade política de dar prioridade ao campo". EFE act/db

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