Direitos humanos em crise nos territórios palestinos, denuncia relatório da HRW

O bloqueio da Faixa de Gaza por Israel e os tiros de foguetes palestinos contra o Estado hebreu contribuíram para uma crise dos direitos humanos em 2008, afirmou a ONG Human Rights Watch (HRW) nesta quarta-feira em seu relatório anual.

AFP |

O documento da ONG, com sede em Nova York, elaborado antes do início, em 27 de dezembro, da ofensiva israelense contra o movimento islamita palestino Hamas na Faixa de Gaza, para tentar conter os tiros de foguetes.

Israel aplica um bloqueio em torno da Faixa de Gaza desde que o Hamas desalojou as forças leais ao presidente palestino e chefe do movimento Fatah, Mahmud Abbas, em junho de 2007.

O HRW lamentou "o bloqueio de Gaza por Israel e as restrições de movimentos para proteger as colônias ilegais na Cisjordânia" assim como os ataques cegos de foguetes palestinos contra as cidades israelenses e graves violências recíprocas da parte dos militantes do Fatah e do Hamas.

"Estes elementos foram em 2008 os componentes maiores de uma crise dos direitos humanos nos territórios ocupados por Israel", segundo o HRW.

A ONG acusou Israel de aplicar "um amplo bloqueio da Faixa de Gaza com graves conseqüências humanitárias para a população civil".

"Mesmo após o cessar-fogo de junho (2008), restrições continuaram limitando o acesso aos produtos básicos e a serviços essenciais", indicou, em referência à trégua entre Israel o Hamas que expirou em 19 de dezembro.

"As restrições sobre a eletricidade e o combustível impediram o funcionamento dos transportes, do bombeamento de água e da rede sanitária", segundo o HRW.

Israel adotou um novo bloqueio total em novembro de 2008 em represália aos tiros de foguetes palestinos, entravando a ajuda médica e as entregas de alimentos e provocando importantes cortes de eletricidade.

O HRW criticou também as operações militares na Faixa de Gaza entre janeiro e junho de 2008, as quais deixaram 338 mortos palestinos, a metade deles civis. A ONG encontrou provas sólidas, as forças israelenses atiraram deliberadamente e mataram cinco civis, membros do pessoal médico.

Na Cisjordânia ocupada e em Jerusalém Oriental, Israel "aumentou suas restrições importantes e em geral arbitrárias à liberdade de movimento para os palestinos", complicando o acesso ao trabalho, à educação, à saúde ou ainda à família.

A ONG também condenou os grupos armados palestinos de Gaza que, antes do cessar-fogo de junho, atiraram foguetes contra a cidade fronteiriça israelenses de Sderot e outras zonas residenciais, matando civis israelenses.

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