Direito de morrer: a luta da família de Eluana chega ao fim

O combate travado pela família de Eluana, a jovem italiana em coma há 17 anos e que se tornou símbolo da luta pelo direito de morrer, chegou ao fim nesta segunda-feira, com o anúncio de sua morte.

AFP |

Eluana havia sido transferida na semana passada para a clínica "La Quiete" de Udine (nordeste), onde os médicos suspenderam sua alimentação e hidratação.

"Ela nada sofrerá nada", chegou a afirmar o neurologista Carlo Alberto Defanti, que faz parte da equipe de 15 médicos e enfermeiros que cuidavam de Eluana, em estado vegetativo desde um acidente de carro que a mergulhou no coma em janeiro de 1992.

O estabelecimento de Udine havia anunciado em janeiro que estava pronto para receber Eluana, apesar das pressões da Igreja, do Vaticano, do governo de centro-direita de Silvio Berlusconi e de políticos regionais.

O Senado italiano chegou a ser convocado de emergência nesta segunda-feira para votar uma lei que permitiria ao governo de Silvio Berlusconi impedir a morte de Eluana.

Os médicos, que tiraram na sexta-feira a sonda que garantia a alimentação e hidratação de Eluana, prosseguiam com o processo, administrando apenas analgésicos para evitar a dor da paciente, apesar da vontade do governo do conservador Silvio Berlusconi de adotar uma lei para impedir a eutanásia.

A imprensa italiana lembrou no domingo que o presidente se opôs ao decreto para não contradizer uma sentença judicial adotada em novembro de 2008 pelo Tribunal de Cassação, a principal instância jurídica da Itália, que autorizou a interrupção da alimentação e da hidratação de Eluana, como pedia o pai dela, Beppino Englaro, há dez anos.

Eluana foi levada na última terça-feira para uma clínica de Udine (nordeste). Uma equipe médica especial começou o fim progressivo de sua alimentação, na sexta de manhã, de acordo com o "Corriere della Sera".

O ministro da Saúde do Vaticano, o cardeal Javier Lozano Barragan reagiu à transferência lançando um apelo para impedir este "abominável assassinato".

O Papa Bento XVI apoiou a Igreja italiana em sua posição contra a interrupção da alimentação de Eluana, considerando a medida uma "eutanásia inaceitável".

O Papa afirmou que "a eutanásia é uma falsa solução para o drama do sofrimento" e um ato "indigno do homem".

O pai de Eluana obteve o direito de interromper a alimentação e a hidratação de sua filha com uma decisão definitiva da Corte de Cassação divulgada em 13 de novembro.

Apesar dessa decisão, o ministro da Saúde Maurizio Sacconi enviou em dezembro uma advertência aos estabelecimentos poderiam eventualmente acolher Eluana para desligar os aparelhos, ameaçando-os de consequências "inimagináveis".

Várias regiões que haviam até então aceitado acolhê-la mudaram de ideia.

Maurizio Ronconi, da União dos democratas cristãos, pediu a adoção urgente de um decreto que "salvasse a vida de Eluana".

O jornal da Igreja italiana, Avvenire, pediu a mobilização contra a morte de Eluana, afirmado que a Itália não ficará de braços cruzados observando esta insuportável agonia.

Manifestantes tentaram impedir a ambulância de deixar a clínica de Lecco, perto de Milão, onde a jovem estava internada nos últimos anos, gritando "Eluana está viva" e "Não matem Eluana".

O pai de Eluana, que lutava há 10 anos pelo direito de morrer de sua filha, afirmava, com o apoiode muitos, que Eluana não teria jamais aceitado continuar vivendo alimentada por uma sonda.

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