Direitista Partido Popular pede eleições antecipadas na Espanha

Pedido ocorre após vitória da oposição nas eleições locais no domingo; manifestantes mantêm protesto na praça Puerto del Sol em Madri

iG São Paulo |

O líder do Partido Popular espanhol (PP, centro-direita), Mariano Rajoy, reivindicou nesta segunda-feira ao presidente do governo espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que antecipe a convocação das eleições gerais, previstas para março de 2012.

AFP
Líder do PP, Mariano Rajoy, comemora vitória em eleições locais (22/5/2011)
Em um discurso diante do Comitê Executivo Nacional do PP para avaliar os resultados das eleições locais de domingo, nas quais seu partido foi o grande vencedor, Rajoy disse que "há dúvidas na Europa e na Espanha" que o Executivo socialista não pode dissipar.

Por essa razão, afirmou que o PP começa desde hoje a preparar um pleito geral que considera que deve ser convocado o mais rápido possível, já que, segundo ele, o que o "vem pela frente não é fácil" de enfrentar. O líder do PP destacou a necessidade da antecipação eleitoral e afirmou que os resultados do pleito de domingo refletem que, para os cidadãos, o PP é "claramente" a alternativa ao governo do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Segundo ele, uma vantagem de quase dez pontos indica que "os espanhóis querem que as coisas mudem" e "o governo não está em condições" de aguentar até março de 2012.

O governo de Zapatero afirmou no domingo que a antecipação eleitoral não está em seus planos. Os socialistas sofreram um duro golpe nas eleições municipais e autônomas de domingo, nas quais o PP obteve uma contundente vitória que lhe permitirá governar a maioria das regiões e prefeituras espanholas.

Com 100% dos votos apurados, o PP conseguiu 37,58% dos votos contra 27,81% dos votos obtidos pelos socialistas, que nas eleições anteriores de 2007 tinham ficado com 34,92% dos votos.

Mais de 34 milhões de espanhóis foram às urnas no domingo para eleger 8.116 prefeitos e cerca de 68,4 mil vereadores, além de 824 deputados dos parlamentos de 13 das 17 comunidades autônomas espanholas.

A derrota é mais sensível para os socialistas pelo fato de terem perdido nas eleições para vereadores em Barcelona, em que os socialistas governavam desde 1979 e onde neste domingo os nacionalistas derrotaram o catalães do CiU, e em Sevilha, capital andaluz e berço do socialismo moderno espanhol, onde o PP foi a formação mais votada.

Protestos

Revoltados com a crise econômica, dezenas de milhares de espanhóis estão nas ruas desde a semana passada, ocupando praças nas principais cidades espanholas, onde exigiram uma "democracia real", por considerar que o PSOE e o PP, os dois grandes partidos espanhóis, não os representam.

Atingidos pela forte crise econômica e por uma taxa de desemprego de 21%, que chega a 44% entre menores de 25 anos, dezenas de milhares de jovens voltaram a se reunir no fim de semana na Praça Puerto del Sol de Madri, onde estão há uma semana acampados realizando diversos debates e assembleias nos quais discutem suas propostas. No domingo, os manifestantes decidiram permanecer nas ruas por pelo menos mais uma semana.

Os manifestantes recomendaram que não se votasse nos dois principais partidos do país, o governista Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o opositor Partido Popular (PP), aos quais responsabilizam por grande parte da precária situação econômica.

Os manifestantes pedem emprego, melhores condições de vida, um sistema democrático mais justo e mudanças nos planos de austeridade do governo socialista espanhol. Além disso, pedem mudança no sistema que conduziu à grave crise econômica registrada na Espanha, que tem a maior taxa de desemprego da União Europeia, com um recorde de 4,9 milhões de pessoas desempregadas no país.

*Com EFE

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