Direita italiana avança e desafia hegemonia esquerdista em eleições regionais

(Atualiza resultados e acrescenta os de Piemonte e Lácio). Roma, 29 mar (EFE).- Sob a liderança do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, a centro-direita alcançou um importante resultado nas eleições regionais realizadas hoje e ontem na Itália ao vencer em seis das 13 regiões em disputa.

EFE |

Com quase 100% das urnas apuradas, a centro-direita tirou quatro regiões das mãos da centro-esquerda, que chegou às eleições governando 11 delas e sai do pleito com o poder em sete.

O que em princípio parecia uma clara vitória das legendas de centro-esquerda, proclamada inclusive pelo opositor Partido Democrata (PD) instantes após o fechamento dos colégios eleitorais, acabou dando lugar a um grande desempenho da direita.

As peças-chave foram as regiões de Piemonte e Lácio, onde a disputa foi apertada o tempo todo.

Faltando a confirmação oficial definitiva com o total dos votos apurados, a centro-esquerda vence em Ligúria, Emília-Romanha, Úmbria, Basilicata, Toscana, Marcas e Apúlia; a centro-direita, em Lombardia, Vêneto (as duas em que governava desde 2005), Campânia, Calábria, Piemonte e Lácio.

Em Vêneto, o ministro da Agricultura, Luca Zaia, da Liga Norte (LN), venceu com 60,1% dos votos, ao passo que Roberto Formigoni, do Povo da Liberdade (PdL), partido de Berlusconi, permanece na Lombardia com 56,1% dos votos, depois que a lista da legenda foi readmitida após ter sido excluída.

Outra região que ficou nas mãos da centro-direita desde o primeiro momento foi a Campânia, onde Stefano Caldoro venceu com 54,1% dos votos. A vitória veio depois que o último governador, Antonio Bassolino, do PD, foi abalado pelos escândalos relacionados com a crise da coleta de lixo, em 2008.

Também foi clara a vantagem de Giuseppe Scopelliti na Calábria com 58,50% dos votos, onde a apuração progrediu muito lentamente.

As duas regiões que apresentavam dúvidas, Piemonte e Lácio, terminaram de dar a vitória moral do pleito à centro-direita, sobre a qual pairava a sombra de uma possível repetição dos resultados das recentes eleições regionais francesas, quando a esquerda massacrou os direitistas.

No Piemonte, a atual governadora Mercedes Bresso perdeu o poder para o candidato da centro-direita, Roberto Cota, da Liga Norte, que teve uma histórica e apertada vitória com 47,6% dos votos.

O Lácio, a região com um maior índice de abstenção, viu como as candidatas de centro-esquerda, Emma Bonino, e de centro-direita, Renata Polverini, disputaram a vitória voto a voto, com a última levando a melhor com 50,2% dos votos.

A centro-esquerda parece não ter conseguido resistir às consequências do escândalo sexual do governador anterior do Lácio, Piero Marrazzo, enquanto a centro-direita saiu fortalecida da ausência do PDL na região - a lista do partido foi excluída ao ser apresentada fora do prazo.

Com o líder da LN, Umberto Bossi, proclamando o desaparecimento da esquerda no norte do país e o princípio do federalismo nas regiões que controlem, a verdadeira protagonista das eleições foi a abstenção, com 65% de participação eleitoral, oito pontos percentuais a menos do que nas eleições de 2005.

E a abstenção acompanhou a Liga Norte: o partido de Bossi foi o mais votado em Vêneto e o segundo na Lombardia. Além disso, recebeu três vezes mais votos em Emília-Romanha e cinco vezes mais na Toscana.

Os resultados parecem ser tão claros que o próprio líder do opositor Itália dos Valores (IDV), Antonio di Pietro, admitiu em um programa da rede de televisão pública "RAI" que o PDL de Berlusconi era o grande vencedor das eleições. EFE mcs/bba

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