Ángel Calvo. Paris, 18 mar (EFE).- Ameaçada por uma possível derrota histórica nas eleições regionais do próximo domingo, a direita francesa centra a reta final de campanha para o segundo turno no campo da segurança, sobretudo depois da morte de um policial pela organização terrorista ETA.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que não participou de nenhum ato de campanha e fez questão de frisar o caráter regional das eleições, entrou hoje de cabeça na polêmica com a oposição de esquerda, que acusa a direita de eleitoralismo por recorrer repetidamente ao tema da falta de segurança.

Sarkozy visitou a delegacia onde trabalhava Jean-Serge Nérin, morto na terça-feira passada por um grupo da ETA que tentava roubar carros. Ali, disse que o Governo vai trabalhar para endurecer as penas aos assassinos de policiais.

O presidente antecipou que a ministra da Justiça, Michèle Alliot Marie, prepara uma mudança nas normas para que os condenados por assassinar uma autoridade tenham que passar pelo menos 30 anos na prisão.

Atualmente, esse crime é punido na França com prisão perpétua e 22 anos de cumprimento efetivo mínimo.

Após uma homenagem ao agente morto e aos que ajudaram a prender um membro da ETA, Sarkozy assegurou que a França não "se deixará intimidar pelos terroristas espanhóis" e que a mobilização das forças de segurança contra o grupo será total e "sem piedade".

"Que ninguém possa imaginar que o território da República francesa é uma retaguarda tranquila para terroristas e assassinos", acrescentou o presidente, que advertiu que a Polícia fará uma denúncia por cada ato contra seus agentes.

O primeiro-ministro francês, François Fillon, que ao contrário do presidente participou da campanha, foi claro, em um comício ontem à noite em Paris, sobre as razões das contínuas mensagens sobre a criminalidade.

Dirigindo-se aos eleitores da ultradireitista Frente Nacional (FN), que obteve 11,6% dos votos no domingo, pediu a todos que temem a violência que julguem o Governo "por seus atos e que não dispersem os votos".

O chefe de Governo não só prestou homenagem a Nérin, mas também, ao denunciar a "violência bárbara" de outro ataque no último dia 8 na região de Paris contra uma patrulha de agentes apedrejados numa estrada, teve um deslize ao dizer, equivocadamente, que um policial tinha morrido.

Fillon teve que reconhecer hoje "um erro coletivo" na redação de seu discurso e enviar uma carta de desculpas à família do agente ferido, que já deixou o estado de coma.

A líder da oposição e primeira secretária do Partido Socialista, Martine Aubry, não deixou escapar a chance de destacar a recuperação política de fatos violentos recentes.

"Além do dramático erro, (Fillon) não pensa mais que em recuperar atos de violência e dramas políticos falando de insegurança, após ter fracassado com a identidade nacional", comentou Aubry.

Em plena troca de acusações, o ministro do Interior, Brice Hortefeux, um dos oito membros do Governo candidatos nas regionais, não demorou a anunciar mão firme após a morte ontem à noite de um torcedor do Paris Saint-Germain (PSG), que havia sido espancado por rivais em 28 de fevereiro.

À espera do efeito das últimas cartadas da direita frente à união das candidaturas de socialistas, ecologistas e comunistas no próximo domingo, as pesquisas davam hoje ampla vitória à esquerda, que pode ficar com o poder em todas as 22 regiões metropolitanas.

Com elevada abstenção de 53,6%, o primeiro turno teve os socialistas (29,5%) à frente da União por um Movimento Popular (UMP) de Sarkozy (26,3%). No domingo, as coisas podem ficar piores para a direita, já que os adversários terão apoio dos ecologistas (12,5%) e comunistas (6,1%). EFE ac/rr

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