Direita de Berlusconi conquista cômoda vitória nas eleições legislativas italianas

A direita italiana liderada pelo magnata da comunicação Silvio Berlusconi venceu com ampla vantagem as eleições legislativas, obtendo a maioria absoluta no Senado e na Câmara dos Deputados, segundo projeções dos institutos de pesquisa nesta segunda-feira e os primeiros resultados parciais.

AFP |

De acordo com resultados do Ministério do Interior relativos a cerca de 20% dos centros de votação, a coalizão de direita liderada por Berlusconi obteve 45,47% dos votos no Senado contra 40,16% da centro-esquerda de Walter Veltroni, ex-prefeito de Roma.

Segundo uma projeção de número de cadeiras no Senado feita pelo Instituto Piepoli, a direita obteve a maioria absoluta - 164 de 315 - votação crucial realizada no domingo e nesta segunda-feira, já que o controle desta câmara é indispensável para o governo. A direita também é considerada vencedora com 8,8 pontos de vantagem na Câmara dos Deputados, segundo o instituto Ipsos para a Mediaset.

Berlusconi manifestou sua "profunda satisfação" durante uma conversa com o principal aliado Gianfranco Fini, segundo a agência Ansa.

Veltroni reconheceu sua derrota, considerando que o resultado era "claro".

Esta será a terceira vez que Berlusconi, 71 anos, chegará ao poder. Em abril de 2006, após um mandato de cinco anos e um balanço controverso, o magnata da comunicação foi derrotado por seu velho adversário de esquerda Romano Prodi.

Em sua primeira eleição nacional, o ex-prefeito de Roma, Walter Veltroni, 52 anos, obteve, segundo projeções, 33% dos votos no Senado, após ter recebido uma pesada herança de 20 meses de governo Prodi, que bateu recordes de impopularidade e cuja imagem foi arranhada pela crise do lixo em Nápoles. "Trata-se de um resultado médio para o PD, Veltroni esperava mais", considerou o cientista político Stefano Folli.

Rompendo com as grandes coalizões de esquerda, o PD nasceu da fusão de ex-comunistas e católicos de esquerda.

A Liga do Norte (regionalista e populista) deverá registrar um resultado bem melhor que em 2006, conquistando 8,3% dos assentos no Senado, segundo projeções do Ipsos, contra 4,5% nas últimas legislativas.

O líder da Liga Umberto Bossi recentemente ameaçou "pegar fuzis contra o canalha romano" e explorou durante a campanha o caso Alitalia.

A Itália dos Valores (Idv) do ex-juiz conhecido pelo combate à corrupção Antonio Di Pietro (2,3% em 2006), formação aliada ao PD na coalizão de centro-esquerda, obterá 4,1% dos votos no Senado, segundo o Ipsos.

"A Liga e a Idv têm posições populistas, próximas da anti-política. Em vez de se abster, alguns eleitores os preferiram aos grandes partidos", declarou à AFP Marco Tarchi, professor de Ciências Políticas em Florença.

Estas eleições foram precedidas por um crescimento da "anti-política", representada pelos sucessos obtidos pelo humorista Beppe Grillo com seu discurso contra os partidos e pelo livro "A Casta" que denuncia os privilégios dos políticos.

Em relação às últimas legislativas de 2006, a participação caiu 3,5 pontos para pouco mais de 80%, segundo o Ministério do Interior.

Segundo as projeções, a Esquerda Arco-Íris (comunistas e verdes) foi massacrada, obtendo apenas 3,5% dos votos no Senado contra 11,5% em 2006.

"Ela afundou porque seu eleitorado ficou muito decepcionado com sua atitude crítica demais em relação ao governo Prodi", segundo Tarchi.

O fracasso desta coalizão causou a demissão de seu líder Fausto Bertinotti.

"Meu papel de dirigente acaba aqui, esta noite, lamento a derrota. Prosseguirei minhas atividades, continuarei a ajudar, mas minha época chega ao fim aqui", declarou o líder histórico dos comunistas italianos do Partido Refundação Comunista, que era presidente da Câmara dos deputados no atual Parlamento.

Durante a campanha, Berlusconi evitou fazer promessas exageradas no momento em que a Itália enfrenta uma pane em seu crescimento.

É a segunda vez que os italianos retornam às urnas no espaço de dois anos para eleições legislativas.

Estas eleições antecipadas foram provocadas pela queda no final de janeiro do governo Prodi.

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