Por Hugh Bronstein BOGOTÁ (Reuters) - Aliados do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, querem promover um referendo que o autorizaria a disputar um terceiro mandato, aproveitando a popularidade da sua luta contra a guerrilha Farc.

Uribe, principal aliado dos EUA na América do Sul, deixa em aberto a possibilidade de concorrer novamente em 2010, e as pesquisas dizem que ele seria favorito. Para isso, porém, será preciso que o Congresso convoque um referendo sobre uma mudança constitucional que autorize uma terceira eleição consecutiva.

'Pretendemos apresentar o projeto antes de setembro, quando tivermos reunido 5 milhões de assinaturas apoiando o referendo', disse o senador Carlos Garcia, presidente do Partido da Unidade Nacional Social, o 'Partido da U', que apóia Uribe. Até agora a petição tem 3,5 milhões de assinaturas.

O analista Patrick Esteruelas, da consultoria Eurasia Group, em Nova York, estima em 60 por cento a chance de Uribe buscar e conseguir um terceiro mandato, 'com certo risco para a estabilidade institucional e integridade da Colômbia'.

Parlamentares da oposição e até alguns governistas temem que, com um novo mandato, Uribe passe a dominar o Congresso, a Justiça e o Banco Central, alterando o equilíbrio de poder.

Uribe diz que só pretende se candidatar novamente caso essa seja a solução para manter as suas políticas de segurança e política econômica -- que atraem vultosos investimentos estrangeiros ao país. Sua popularidade alcançou 90 por cento depois da bem-sucedida operação de resgate de Ingrid Betancourt e de outros 14 reféns das Farc, em 2 de julho.

Uma vez que um quarto dos congressistas está sob suspeita de ligação com paramilitares e traficantes, muitos eleitores consideram Uribe como o único político capaz de liderar o país e derrotar os rebeldes.

García disse que o referendo pode ser realizado em maio ou junho de 2009, caso a medida passe no Congresso e seja autorizada pela Corte Constitucional.

Uribe foi reeleito em 2006, graças a uma reforma constitucional que autorizou um segundo mandato consecutivo.

Outros possíveis candidatos para 2010, como o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, aguardam em suspense enquanto Uribe mantém o país especulando sobre seu futuro.

'Não há garantia de que a lei do referendo passe no Congresso, especialmente se Uribe não vier a público dizer que assim deseja', disse o deputado Santiago Castro, tradicional aliado de Uribe, do Partido Conservador.

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