Direita chilena conquista território em eleições municipais

Por Rodrigo Martinez SANTIAGO (Reuters) - O governo de centro-esquerda do Chile saiu ainda mais enfraquecido das eleições municipais de domingo no país, a um ano da eleição presidencial em que a atual coalizão pode ser expulsa do poder pela primeira vez desde a restauração da democracia, há 18 anos.

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Embora a Concertación (coalizão de centro-esquerda) tenha elegido mais vereadores, a oposição de centro-direita fez mais prefeitos.

"É um resultado bem complicado para a Concertación", disse o cientista político Fabián Pressacco, da Universidade Alberto Hurtado, de Santiago. "No contexto da próxima eleição presidencial, o resultado da Concertación para os cargos de prefeitos e vereadores não é pouca coisa."

Problemas nos ônibus de Santiago, protestos estudantis contra um reforma educacional e preocupação com a criminalidade e com a inflação de quase 9 por cento ao ano derrubaram nos últimos meses a popularidade da presidente socialista Michelle Bachelet.

As primeiras pesquisas para a eleição presidencial de 2009 indicam o favoritismo de um bilionário de centro-direita.

"A Concertación tem muitas realizações a apresentar, mas deve encarar o futuro com autocrítica", disse Bachelet no Palácio de la Moneda, ao lado de ministros e políticos governistas. "O que está claríssimo é que precisamos de mais unidade."

Com 95 por cento dos votos apurados, a coalizão centro-direitista Alianza tem cerca de 40 por cento dos votos, contra 38 por cento para a Concertación. Havia 345 prefeituras em disputa, inclusive a da capital.

Na votação para as 2.160 vagas em Câmaras Municipais, com cerca de 87 por cento dos votos apurados, a Concertación aparece à frente, com cerca de 45 por cento dos votos, contra 36 da Alianza.

O governo tentou minimizar o resultado, mas a direita comemorou e viu o início de uma nova fase. "Os chilenos querem mudança, e sentimos a grande responsabilidade de representar essa mudança", disse o bilionário Sebastián Piñera, derrotado por Bachelet no segundo turno de 2006 e possivelmente candidato novamente em 2009.

"Vamos continuar trabalhando para garantir que esta mudança se consolide na eleição presidencial do ano que vem", acrescentou.

Passado o pleito municipal, a Concertación deve agora escolher o seu candidato à sucessão de Bachelet, que não pode disputar um novo mandato.

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