Diques evitam novas enchentes nos EUA; começam ações de limpeza

Por Kay Henderson DES MOINES, EUA (Reuters) - Os diques conseguiram suportar a pressão das águas do rio Mississippi na segunda-feira, em meio às piores enchentes a atingirem a região do Meio-Oeste dos EUA nos últimos 15 anos.

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Enquanto isso, os moradores da região davam início a uma lenta e fétida recuperação após terem sofrido bilhões de dólares em prejuízos que podem também fazer aumentar ainda mais o preço dos alimentos no mundo todo.

Os diques fragilizados ao longo do Mississippi, nos Estados de Iowa, Illinois e Missouri (importantes produtores agrícolas), continuavam resistindo enquanto essa importante hidrovia dos EUA atingia seu pico em algumas áreas e subia apenas um pouco em outras.

Os Corpos de Engenheiros do Exército norte-americano disseram que o nível das águas encontrava-se em grande parte estável e deve continuar assim durante vários dias antes de começar a retroceder gradualmente.

'Teremos de ficar de olho mesmo quando a água começar a baixar no rio Mississippi porque esse será um processo lento.

Mesmo que o rio tenha atingido seu pico, ainda haverá muito por fazer', disse Nicole Dalrymple, porta-voz dos Corpos de Engenheiros em St. Louis.

Segundo Dalrymple, o maior problema na segunda-feira parecia ter surgido em Winfield (Missouri), rio acima em relação a St. Louis. Ali, voluntários foram convocados para colocar mais sacos de areia em um dique que ameaçava ceder.

A porta-voz disse que o rio deve atingir um pico máximo novamente no meio da semana, em St. Louis, mas em um ponto mais baixo que o previsto anteriormente, mais de 3,6 metros abaixo do recorde registrado na última grande enchente da região, em 1993.

'Basta limpar tudo e seguir em frente. Mas a coisa não é tão simples quanto parece. De toda forma, é isso que eu terei de fazer. E é isso o que todos nós teremos de fazer', afirmou Joanne Smiley, professora aposentada que é prefeita da pequena Clarksville (Missouri).

Ali o rio deve atingir, na segunda-feira, um ponto máximo 22,86 centímetros abaixo do nível atingido em 1993.

'Isso poderia ter sido pior. E ainda pode ser pior se o rio ou as condições climáticas fizerem alguma coisa que não estamos esperando. Ainda não estamos salvos', acrescentou.

As tempestades previstas para o norte do Meio-Oeste na terça-feira devem ser pesadas em algumas áreas, mas, ao invés de representar uma nova ameaça, sua consequência maior seria impedir os rios cheios de baixarem.

MONTANHA DE COISAS ESTRAGADAS

Em Cedar Rapids (Iowa), onde o agitado rio Ceder alagou 1.300 quarteirões da cidade, o diretor da Agência de Lixo Sólido avaliou que a montanha de móveis, eletrodomésticos e outros materiais estragados pelas águas seria grande o suficiente para encher dois estádios de futebol com uma profundidade de 18,29 metros, afirmou o jornal Gazette, da cidade.

As tempestades e chuvas torrenciais mataram 24 pessoas no Meio-Oeste e provocaram bilhões de dólares em danos desde o final de maio. Mais de 40 mil moradores da região (a maior parte deles de Iowa) tiveram de abandonar suas casas.

Estradas e pontes foram destruídas, fábricas paralisaram suas atividades, usinas de água e de força ficaram danificadas e o faturamento de ferrovias, fazendeiros e muitos outros negócios viram-se prejudicados.

Temores de que até 5 milhões de acres de milho e soja tenham sido perdidos no coração do maior exportador de grãos e alimentos do mundo fizeram crescer o medo de que a inflação mundial dos alimentos piorará neste momento, em que os preços de combustíveis batem recordes.

(Reportagem adicional de James Kelleher e Erin Zureick em Chicago e Ryan Schlader em Cedar Rapids)

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