Diplomatas deixam reunião da ONU durante discurso do líder do Irã

Diplomatas de países europeus abandonaram uma reunião antirracismo da ONU em Genebra durante discurso do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, depois que ele descreveu o governo de Israel como um governo racista. O protesto dos diplomatas ocidentais começou minutos depois do início do discurso de Ahmadinejad.

BBC Brasil |

O presidente iraniano afirmou em seu pronunciamento que imigrantes judeus da Europa e dos Estados Unidos foram enviados ao Oriente Médio para estabelecer um "governo racista".


imagem BBC

"Depois da Segunda Guerra Mundial, eles lançaram mão da agressão militar para deixar uma nação inteira sem um lar, sob o pretexto do sofrimento judeu, e eles então enviaram imigrantes da Europa, Estados Unidos e de outras partes do mundo para estabelecer um governo totalmente racista na Palestina ocupada", afirmou Ahmadinejad.

A partir destes comentários, os diplomatas se retiraram da sala de conferência.

Antes deste incidente, dois manifestantes com perucas coloridas e gritando as palavras "racista, racista" já tinham interrompido o início do discurso do presidente iraniano e foram retirados pelos seguranças. Um deles conseguiu atirar um objeto contra Ahmadinejad.

Segundo a correspondente da BBC em Genebra Imogen Foulkes, o protesto dos diplomatas é um desastre de relações públicas para a ONU, que esperava que a conferência antirracismo fosse um bom exemplo do que a organização faz, ou seja, unir países para combater a injustiça no mundo.

Boicote

Países como Estados Unidos, Israel, Canadá, Austrália, Alemanha, Itália, Holanda, Polônia e Nova Zelândia estão boicotando a conferência de Genebra, em protesto pela participação de Ahmadinejad.

França e Grã-Bretanha participam, mas a Grã-Bretanha não enviou nenhum representante de alto escalão. O embaixador britânico Peter Gooderham estava entre os diplomatas que retiraram da sala de conferência no momento do discurso de Ahmadinejad.

A França, cujo embaixador também se retirou, descreveu o pronunciamento como "um discurso de ódio".

O ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, afirmou, antes mesmo da conferência, que os representantes de seu país iriam abandonar o fórum se este fosse usado como uma plataforma para ataques contra Israel.

Falando depois do protesto dos diplomatas, Kouchner afirmou que "nenhum compromisso é possível depois de atitudes" como a do presidente Ahmadinejad.

"A defesa dos direitos humanos e a luta contra todos os tipos de racismo são importantes demais para que a ONU não se junte contra todas as formas de discurso de ódio, contra toda a distorção desta mensagem", afirmou.

O correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne afirmou que este discurso de Ahmadinejad pode pôr fim à esperança de algum tipo de melhora nas relações entre a nação islâmica e o novo governo americano de Barack Obama.

Em vez disso, as palavras do presidente iraniano devem renovar os temores em Israel e países ocidentais de que o país consiga desenvolver armas nucleares.

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