Diplomatas chegam ao Suriname para avaliar extensão do conflito

Uma missão brasileira chegou neste domingo a Albina, no norte do Suriname, onde na véspera de Natal brasileiros foram atacados após uma briga que resultou na morte de um morador local.

Camila Nascimento, iG São Paulo |

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  • Veja imagens da destruição em Albina  (fotos da radiokatolica.com)
      Divulgação/ radiokatolica.com
      Carros queimados e casas destruídas após confronto na Albina

      Carros queimados e casas destruídas após confronto em Albina

      Segundo informações do Itamaraty, a missão é formada por oito pessoas e tem entre os seus integrantes o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, representantes do governo surinamês e da polícia local.

      Na segunda-feira, vão se juntar à missão os dois diplomatas que chegaram neste domingo a Paramaribo, capital do Suriname. Eles partiram do Brasil, por volta das 7h de hoje, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), para avaliar a extensão do conflito. A missão é escoltada por homens da polícia local e do Exército.

      Sete mortos

      Os brasileiros foram atacados em represália à morte de um morador local supostamente assassinado por um trabalhador brasileiro. De acordo com o Ministério de Relações Exteriores, cerca de 80 brasileiros, que viviam em Albina foram levados para a capital Paramaribo após o conflito.

      Neste domingo, o padre brasileiro José Vergílio, que visitou o local, relatou que sete pessoas morreram em consequência do ataque . Ele afirma que o confronto foi maior do que está sendo divulgado pelo governo. A informação, porém, não é confirmada pela Embaixada do Brasil. Até o meio-dia, a informação da Embaixada é de que o ataque deixou 25 brasileiros feridos, sete em estado grave, e um surinamês morto.

      Ainda segundo o padre, que classificou o fato como "muito grave", as vítimas do ataque estão instaladas em hotéis e outros locais providenciados pelo governo do Suriname e recebem atendimento do Exército e de voluntários. "O governo surinamês prestou ajuda a essas pessoas desde o primeiro momento e já pediu desculpas formalmente aos brasileiros", afirmou o padre. "Há relatos terríveis", afirmou Vergílio.

      Divulgação/ radiokatolica.com
      Destruição em Albina

      Destruição em Albina

      Ajuda aos brasileiros

      Os diplomatas, que seguiram em um avião com capacidade para 30 pessoas, desembarcaram em Paramaribo por volta das 14h (horário de Brasília). Lá, eles encontrarão os brasileiros para saber qual assistência eles precisam.

      Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), não foram levados alimentos para a população atacada. Não há também confirmação de que os brasileiros feridos sejam trazidos para o Brasil. Apenas na segunda-feira, os diplomatas seguirão para Albina, que fica cerca de 150 km da capital do Suriname, onde poderão ter mais detalhes do que aconteceu.

      No sábado, a ministra interina dos Negócios Estrangeiros no Suriname, Jane Aarland, afirmou ao governo do Brasil que tomará todas as medidas possíveis para garantir a segurança dos brasileiros no país . "O Suriname vai enviar todos os esforços para garantir a segurança e integridade dos brasileiros", afirmou em conversa com o secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota.

      Segundo o Itamaraty, não foi detalhado qual tipo de ajuda será dada, mas, por meio da assessoria de imprensa, o governo afirmou que o fato de o Suriname ter garantido três veículos para escoltar a missão brasileira a Albina, onde o ataque aconteceu, mostra "boa vontade". 

      Ainda de acordo com o Itamaraty, a cônsul do Brasil na vizinha Guiana Francesa, Ana Lélia Beltrame, viajou até a cidade de Saint Laurent du Maroni, que fica do outro lado da fronteira de Albina, e confirmou nove brasileiros feridos, entre eles, a mulher grávida que perdeu o bebê.

      Albina tem cerca de cinco mil habitantes e é o principal ponto de travessia entre o Suriname e a Guiana Francesa. Segundo o embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, a maioria dos cerca de 2 mil brasileiros em Albina se dedicaria ao garimpo.

      O caso

      Um grupo de brasileiros foi atacado, na véspera do Natal, com machados e facões, após uma briga que começou durante uma festa na qual havia mais de mil pessoas reunidas.

      Durante a briga, um brasileiro teria esfaqueado e matado um surinamês. Em represália pelo assassinato, cerca de uma hora após a morte do morador local, a comunidade brasileira foi atacada. Um padre afirma que foram usados machados e facões contra os brasileiros.

      De acordo com informações do governo surinamês, durante o confronto, ao menos 20 mulheres foram estupradas e mais de 120 pessoas tiveram que ser retiradas às pressas da cidade. Imigrantes de origem chinesa, donos de lojas na região, também teriam sido vítimas dos ataques. Vários pontos comerciais foram saqueados e queimados.


      Ver  Albina - Suriname em um mapa maior

      (*com informações da BBC Brasil)

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