Diplomata dos EUA se reúne com negociador iraniano

Um alto funcionário do governo americano participa neste sábado, em Genebra, de um encontro internacional com autoridades iranianas para discutir o programa nuclear do Irã. A presença do subsecretário de Estado americano, William Burns, na reunião com o principal negociador do programa nuclear do Irã, Saeed Jalili, é considerada um acontecimento histórico.

BBC Brasil |

Esta é a primeira vez que uma autoridade dos Estados Unidos se senta à mesa com um interlocutor iraniano conversar sobre o assunto.

Além de Burns, também participam do encontro o representante da União Européia para Política Externa, Javier Solana, além de autoridades da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, países-membros do Conselho permanente da ONU.

O objetivo da reunião é obter uma reposta por parte do Irã sobre a oferta de um pacote econômica em troca da interrupção de seu programa nuclear.

A proposta foi apresentada ao Irã no mês passado por Solana, em nome dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e da Alemanha.

O pacote inclui uma série de medidas para ajudar o Irã a desenvolver um programa nuclear civil.

O Irã vem se recusando a interromper seu programa de enriquecimento de urânio, apesar da pressão internacional.

Os Estados Unidos e outros países do Ocidente temem que o Irã, sigilosamente, tente desenvolver uma bomba nuclear, e por isso exigem o fim do programa iraniano.

No entanto, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, diz que o seu programa nuclear tem fins pacíficos e é um direito do povo iraniano.

Mudança de postura
Segundo a correspondente da BBC em Genebra, Bethany Bell, uma das autoridades iranianas envolvidas nas negociações, Kevyan Imani, reafirmou a posição de seu país, de que a suspensão do programa nuclear "está fora de questão".

A correspondente afirma, no entanto, que os iranianos podem estar considerando desacelerar o ritmo de suas atividades nucleares.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Manouchehr Motakki, descreveu o encontro como "positivo e construtivo" e disse esperar que dele se formem "as bases para futuras negociações".

Os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a Revolução Iraniana em 1979 e a captura de reféns da embaixada americana em Teerã.

Em 2002, o governo Bush incluiu o Irã na lista de países do chamado "Eixo do mal", ao lado da Coréia do Norte e Iraque, e disse que não negociaria diretamente com o país, a menos que suspendesse seu programa nuclear.

A seis meses de deixar a presidência, o presidente Bush parece estar adotando uma política mais conciliatória.

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