Tegucigalpa, 6 jan (EFE).- O subsecretário adjunto dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Craig Kelly, concluiu hoje a visita de dois dias que fez a Honduras sem fazer declarações sobre a reunião que teve com o presidente de fato do país, Roberto Micheletti, e chefe de Estado deposto, Manuel Zelaya.

O pouco de informação que vazou do encontro que Micheletti e Kelly tiveram nesta quarta-feira foi resumido pelo atual chanceler, Carlos López. Em uma entrevista, o ministro das Relações Exteriores afirmou que, "desde que teve início o processo de negociação do Acordo Tegucigalpa-San José, estas reuniões têm caráter cíclico".

O pacto citado por López, assinado por representantes de Zelaya e Micheletti em 30 de outubro do ano passado, propunha uma solução para a crise política que se instaurou em Honduras após o golpe de Estado de 28 de junho último.

Desde então, as reuniões entre Micheletti e os enviados de Washington, ressaltou López, "avaliaram a evolução dos eventos", em particular das eleições presidenciais de 29 de novembro, que deram vitória a Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional.

Agora, a atenção se volta para a transição entre "um Governo que entrega e um Governo que recebe", destacou López, segundo quem isso foi "fundamentalmente o tema central" da conversa entre Micheletti e Kelly.

De acordo com o chanceler hondurenho, Kelly manifestou o desejo dos EUA de que a transição de Governo aconteça de forma "muito fluente" e que o Executivo eleito comece seu trabalho "com a maior eficiência possível".

Depois que chegou ontem a Tegucigalpa, Kelly conversou com Zelaya e Lobo. Hoje, foi a vez de se reunir com Micheletti e representantes do setor privado.

Antes do encontro com o diplomata americano, Micheletti reiterou a um canal de TV local que seu mandato termina em 27 de janeiro, quando Zelaya concluiria seus quatro anos no poder.

Em alusão aos EUA, cujo Governo quer que a crise política em Honduras seja solucionada até 15 de janeiro, segundo declarações feitas hoje por Lobo, Micheletti enfatizou que não renunciará só porque alguns foram até o país pressioná-lo.

A este respeito, o atual chanceler afirmou que Kelly não foi a Tegucigalpa pedir a Micheletti que renuncie. Ele também garantiu que o tema "não foi abordado" na reunião que os dois tiveram.

"O presidente Micheletti tem um mandato constitucional que é resultado da decisão que o Congresso Nacional tomou em 28 de junho de 2009 e que foi ratificado em 2 de dezembro de 2009.

Consequentemente, ele não pode faltar ao compromisso de exercer a Presidência até (...) 27 de janeiro de 2010", declarou López.

O ministro também disse que a saída de Micheletti antes de 27 de janeiro é algo fora "de negociação", já que o presidente de fato simplesmente exerce "um mandato em conformidade com a Constituição da República".

Lobo, por sua vez, disse à "Rádio América" que os EUA querem que, no máximo até 15 de janeiro, Micheletti deixe o cargo de presidente.

Os EUA têm como "posição o total cumprimento do Acordo Tegucigalpa-San José. A posição deles é de que não deve de haver vencedores nem vencidos", declarou Lobo.

O presidente eleito acrescentou que os EUA consideram "prudente" Micheletti "deixar o Governo" até 15 de janeiro.

No entanto, Zelaya afirmou a uma outra rádio que os EUA "não têm força" suficiente para tirar Micheletti do cargo.

"Os EUA estão lutando para que Micheletti saia da Presidência antes da posse (de Porfirio Lobo). No entanto, ele se recusou a fazer isso e disse que já está montado no cavalo, com as esporas postas e com o freio, e que dali absolutamente ninguém o tira", comentou. EFE gr/sc

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