Diploma latino-americano vale menos na Espanha, diz estudo

Um diploma universitário latino-americano vale menos do que um diploma de uma faculdade européia no mercado de trabalho da Espanha, fazendo com que apenas 4% dos imigrantes latino-americanos consigam emprego em sua área, segundo um estudo da Universidade de Barcelona. Os mais prejudicados são os sul-americanos, sem dúvida, porque muitos chegam aqui com formações qualificadas, mas não conseguem o reconhecimento de seus diplomas, disse, em um comunicado à imprensa, o Chefe de Projetos da Faculdade de Sociologia da Universidade, Pascual Bayarri, um dos autores do relatório.

BBC Brasil |

Bayarri citou, como exemplo, o caso dos médicos. "É como se começassem do zero, mesmo que tenham exercido a medicina em seus países", afirmou.

A média salarial também muda dependendo da origem do imigrante. Para as mesmas funções, os imigrantes europeus ganham mais do que o dobro que os trabalhadores latino-americanos, asiáticos ou africanos.

"Existe um claro desequilíbrio entre europeus e não-europeus. O fato de duas pessoas fazerem o mesmo trabalho e receberem salários diferentes por ter passaportes distintos indica discriminação", indicou o relatório.

Os casos mais claros são os das empresas terceirizadas que prestam serviços ao Estado. Os trabalhadores europeus recebem, em média, 15 euros por hora. Já os latino-americanos ganham em torno de sete euros por hora.

Desvantagem
Para os pesquisadores, as diferenças entre profissionais de uma região e outra aparecem já no desembarque no mercado espanhol.

A maioria dos latino-americanos chega à Espanha para trabalhar sem documentos. Além da dificuldade em legalizar a própria situação, encontram barreiras para que seus estudos nos países de origem sejam reconhecidos.

Já os europeus entram com outro status. Eles chegam com formação em instituições conhecidas no continente, com currículos que incluem empresas de nomes mais famosos "sendo recebidos com mais seriedade", segundo o relatório "Imigração e Mercado de Trabalho".

O documento propõe a criação de leis contra a discriminação por nacionalidade. "Tal como ocorreu com a discriminação por motivo de sexo, também se deveria lutar contra as desigualdades por raça ou imigração", afirmou o investigador do Grupo de Exclusões e Controles Sociais da Universidade de Barcelona e co-autor do estudo, Miguel Pajares.

Crise e imigração
Os latino-americanos representam o maior contingente de trabalhadores entre os imigrantes da Espanha: 50,6%, comparados a 24,3% europeus, 16,3% asiáticos, 8,6% africanos e 0,2% da Oceania.

Por isso, em momentos de crise como a atual, em que a Espanha vive uma desaceleração econômica, os latino-americanos são os que passam por mais dificuldades no mercado de trabalho.

De acordo com o estudo, a falta de valorização dos diplomas obriga os trabalhadores a aceitar condições "muito abaixo de suas formações" e, ante a crise, a tendência é "ter que se conformar com menos", com empregos de menor duração, com salários mais baixos e menos benefícios trabalhistas.

Nos últimos doze meses, o aumento do número de demitidos entre a população imigrante foi de 77,8%, principalmente no setor da construção civil.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG