Dinheiro da maleta era para campanha de Cristina Kirchner, diz Promotoria

Os US$ 800 mil dólares em uma maleta enviada pela Venezuela à Argentina eram dinheiro para a campanha presidencial da então candidata na Argentina Cristina Kirchner, afirmou o promotor americano Thomas Mulvihill em um tribunal de Miami, mencionando gravações obtidas pelo FBI.

AFP |

De acordo com ele, essas gravações "mostram claramente" para onde iam os dólares. "O dinheiro era para a campanha de Cristina Kirchner e foi Franklin Durán quem disse a Antonini qual era o destino do dinheiro", acrescentou.

Em agosto de 2007, Guido Antonini levou, de Caracas para Buenos Aires, a maleta com os supostos fundos eleitorais. Cristina Kirchner venceu as eleições em outubro daquele ano e substituiu seu marido, Néstor Kirchner, no governo.

Acusação e defesa apresentaram, nesta terça, seus respectivos argumentos ao júri que se encarregará de julgar o empresário venezuelano Franklin Durán, acusado pelo governo dos Estados Unidos de atuar em Miami como agente da Venezuela para ocultar a origem e o destino do dinheiro.

Com essa revelação, os presidentes de Venezuela, Hugo Chávez, e Argentina, Cristina Kirchner, foram indiretamente envolvidos no caso. A atual presidente argentina negou que sua campanha tenha recebido contribuições de fundos venezuelanos.

O advogado de defesa de Durán, Ed Shohat, disse que Antonini queria obter um acordo com o governo da Venezuela para encobrir os fatos, assim como documentação falsa, e exigia o pagamento de dois milhões de dólares.

"Antonini dizia a funcionários do governo da Venezuela: se não me derem dois milhões de dólares conto tudo à imprensa (...) inclusive escreveu uma carta para o presidente Chávez", disse Shohat ao júri.

Além de Durán, outros dois venezuelanos - Carlos Kauffman e Moisés Maiónica - e um uruguaio - Rodolfo Wanseelee - foram acusados pelos EUA de agirem em Miami como agentes disfarçados da Venezuela com o mesmo objetivo: convencer Antonini a ocultar a origem e o destino do dinheiro.

A acusação do promotor, reiterada nesta terça-feira perante o júri, mencionou uma forte intervenção da inteligência venezuelana, inclusive de seu diretor, o general Henry Rangel Silva, para encobrir o escândalo.

Os outros três acusados se declararam culpados antes do julgamento, e suas sentenças serão proferidas nos próximos dias.

Antonini Wilson chegou a Buenos Aires no dia 4 de agosto de 2007, proveniente de Caracas, com um grupo de funcionários venezuelanos e argentinos e uma maleta na mão.

A maleta do escândalo foi apreendida pela Alfândega argentina quando Antonini não soube explicar o motivo pelo qual entrava no país com US$ 800 mil. O empresário não foi detido em Buenos Aires e retornou para Miami, onde mora.

Em Miami, teve várias reuniões com venezuelanos para discutir o escândalo deflagrado nesse país e na Argentina. Alguns deles, supostamente enviados diretamente pelo governo de Chávez.

Antonini ofereceu seus serviços ao FBI e gravou os encontros e as conversas telefônicas. Desde então, manteve-se escondido e em absoluto silêncio, mas deve testemunhar no julgamento.


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