O novo presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que toma posse neste 7 de maio, rompe com o estilo de seu predecessor - é jovem, mais moderno, mais afável - mas é um puro produto da era Putin.

Aos 42 anos, foi impulsionado à chefia do maior país do mundo pela única vontade de seu mentor, Vladimir Putin, 13 anos mais velho, que se tornará seu primeiro-ministro - um cenário inédito na história da Rússia.

É descrito muitas vezes como um "tecnocrata" pragmático, formado à sombra do presidente e partidário do rígido controle político exercido por seu mentor.

De rosto juvenil, Medvedev também deve sua ascensão política dentro da elite russa a Putin, que contratou o então jovem e brilhante advogado no início dos anos 90 para ajudar no departamento de Relações Exteriores do governo de São Petersburgo.

Em cinco anos de trabalho, destacou-se por dar soluções jurídicas em casos de malversações que poderiam ter respingado em Vladimir Putin, segundo a imprensa russa e antigas autoridades políticas locais.

Após coordenar a campanha presidencial de Putin em 2000, Medvedev foi nomeado chefe de gabinete no Kremlin e, em seguida, presidente da Gazprom, a jóia da coroa do setor energético russo.

Em suas diferentes funções, assistiu à tomada de controle dos meios de comunicação e ao sufocamento da oposição, sem que ficasse claro seu papel em tudo isso.

No entanto, foi a decisão de Putin de nomeá-lo primeiro vice-ministro em novembro de 2005, encarregado de projetos nacionais na área sanitária, educacional e de moradia, que iniciou os rumores de sua provável eleição como sucessor de Putin.

Desde então, o candidato Medvedev só tem um programa: a fidelidade a Vladimir Putin e a continuação de sua obra. Discreto, ele oferece uma imagem tranqüilizadora, melhor do que a do atual presidente, alvo de muitas críticas antiocidentais.

"Com Medvedev, a Rússia parece seguir para o bom caminho, o da modernização. A eleição de Medvedev é um sinal para os russos e para o Ocidente", considera um diplomata europeu em Moscou.

Mas o Ocidente se equivocaria se der como certa uma grande abertura por parte da Rússia ou se subestimar suas ambições, adverte Alexander Rahr, especialista sobre a Rússia na Sociedade Alemã para a Política Exterior, com sede em Berlim.

"Se quisermos voltar a fazer da Rússia um 'sócio júnior', como nos anos 90, chegaremos rapidamente a um conflito. Medvedev oferece talvez um rosto simpático, mas quer que o respeitem", diz Rahr.

O candidato do Kremlin já advertiu em janeiro que a Rússia não será "o aluno bonzinho ou o figurante" que os ocidentais viam em Moscou nos anos 90.

As relações com o Ocidente dependerão também do futuro presidente americano, quer se trate do republicano anti-russo John MacCain, ou de algum dos democratas, tradicionalmente pouco inclinados a Moscou.

"Estados Unidos e Rússia terão que cooperar, sejam quais forem seus dirigentes. É inevitável", afirmou Medvedev.

Nascido em 14 de setembro de 1965, Medvedev é filho único de Anatoly Medvedev, um professor do Instituto Tecnológico de Leningrado e de Yulia, professora de filologia no instituto Gertsen.

Cresceu em um subúrbio humilde de Leningrado, e foi estudar Direito na Universidade Estatal da cidade, onde se destacou como um dos alunos mais brilhantes de sua turma.

Com um dom para a administração e a logística, Medvedev se descreve também como um pragmático.

"A ideologia é algo perigoso", disse uma vez aos jornalistas, ainda que também tenha se definido como um "europeu" na política exterior, próximo aos valores da democracia e dos direitos humanos.

Ao contrário de Putin, Medvedev não possui vínculos conhecidos com a KGB, mas tem ligações dentro do clã político proveniente de São Petersburgo, que domina os mais altos escalões do poder.

Apoiado em seu profundo conhecimento da burocracia do Kremlin, Medvdevev é considerado o principal funcionário da pirâmide política que ajudou Putin a permanecer sem grandes solavancos na presidência.

Um de seus maiores feitos foi ter reorganizado as relações com alguns dos oligarcas multimilionários que dominaram a cena política russa durante a presidência do predecessor de Putin, Boris Yeltsin.

cml/pa/sd

Ancien juriste au discours monotone, le nouveau leader russe, volontiers souriant, amène, cherche à s'affirmer après avoir copié intonations et gestes de son maître.

Malgré quelques phrases emblématiques comme "la liberté est meilleure que l'absence de liberté" qui font espérer un dégel à certain, son profil reste une énigme, de même que son point de vue réel sur la démocratie ou la politique extérieure.

"Il est très intelligent. Il fait partie d'une autre génération", disait de lui en décembre la secrétaire d'Etat américaine Condoleezza Rice, tout en rappelant qu'il a dirigé Gazprom, le géant gazier perçu comme l'arme énergétique du Kremlin.

Un fois au Kremlin, sera-t-il un simple exécutant des ordres de son mentor ou un homme politique indépendant avec une vision propre ?

"Il a toutes les chances de devenir un authentique président s'il a une volonté politique. En a-t-il une vraiment ? On verra après l'investiture", explique à l'AFP Boris Nemtsov, ancien vice-Premier ministre du président Boris Eltsine devenu opposant libéral.

Contrairement à Vladimir Poutine, "il n'est pas du KGB. Cela donne quelque espoir", ajoute-t-il. Il est aussi le premier président de Russie qui n'ait pas effectué une partie de sa carrière en Union soviétique, disparue en 1991.

Pour l'instant, Dmitri Medvedev cultive l'image d'un homme normal et moderne : il surfe sur internet, apparaît en jeans lors de rencontres informelles et affiche une vie saine, avec ses longeurs de piscine quotidiennes et son goût pour les sushis.

Mais ne cache par un certain traditionalisme quand il s'agit de sa femme Svetlana : en "homme normal", il lui a demandé de "rester à la maison" après la naissance de leur fils, a-t-il ainsi confié dans une interview.

Dernièrement, le quotidien populaire Komsomolskaïa Pravda a publié des photos de lui sortant du cinéma avec son épouse Svetlana, lors d'un match de foot avec son fils Ilia, 12 ans, ou tout seul en train de pêcher au trou en Sibérie.

Un style qui tranche avec celui volontiers viril de Vladimir Poutine, envoyant ses adversaires au tapis lors d'une séquence de judo, grimpant dans le cockpit d'un avion de chasse ou posant, torse nu, lors d'une partie de pêche.

"Le militarisme brutal et le sex appeal de moujik" de Poutine, qui écoute de la musique pop russe, "passe de mode, cédant la place à un style intellectuel et dandy" chez Medvedev, fan du groupe de rock Deep Purple, qui pratique le yoga et a un aquarium, écrit le magazine GQ russe.

Né le 14 septembre 1965 à Leningrad (aujourd'hui Saint-Pétersbourg) dans une famille d'enseignants, Dmitri Medvedev a grandi dans un quartier populaire de l'ancienne capitale impériale.

Il étudie à l'université de droit de sa ville natale mais entre très vite au Comité des relations extérieures de la municipalité, alors dirigé par un certain Vladimir Poutine, où il reste cinq ans (1990-95).

Sa carrière se construit dès lors toute entière autour de Vladimir Poutine, qui le fait "monter" à Moscou en 1999. Elu président en mars 2000, ce dernier le nomme chef-adjoint puis chef de l'administration présidentielle.

En novembre 2005, il devient premier vice-Premier ministre, poursuivant son ascension vers le Kremlin sous la houlette de son mentor, dont il aura accompagné, de son plein gré ou non, toutes les dérives, du musèlement des médias à l'étouffement de l'opposition.

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