Dimitri Medvedev assume presidência da Rússia

Dimitri Medvedev se tornou nesta quarta-feira o terceiro presidente da Rússia desde o fim da União Soviética, depois de Boris Yeltsin e Vladimir Putin, após jurar a Constituição como novo chefe de Estado durante uma cerimônia solene no Kremlin.

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"Juro respeitar e proteger os direitos e liberdades, respeitar e defender a Constituição da Federação da Rússia, defender a soberania e a independência, a segurança e a integridade do Estado, servir fielmente ao povo", afirmou ao tomar posse com a mão sobre a Constituição, diante de Putin, seu antecessor e mentor, e de centenas de convidados.

Em seguida, o novo presidente afirmou que a prioridade de seu mandato será continuar com o "desenvolvimento das liberdades cívicas e econômicas".

Também disse que para isto contará com o apoio de Putin, a quem nomeará primeiro-ministro.

Um pouco antes, Putin afirmou que a Rússia avançou em seus oito anos de presidência e desejou boa sorte ao sucessor.

Para Medvedev, de 42 anos, a posse marca a chegada ao topo após uma surpreendente ascencão de obscuro burocrata da era Putin a comandante-em-chefe de um amplo arsenal nuclear e líder do maior produtor de energia do mundo.

Seu primeiro ato importante, na quinta-feira, será nomear Putin como chefe de governo, uma indicação que será aprovada no Parlamento, onde pronunciará um discurso de política geral.

Quem é Medvedev

Mais que herdeiro de czares e secretários-gerais, parece um eficaz executivo, assim como quando Putin o escolheu como sucessor ao não poder disputar a Presidência pela terceira vez consecutiva.

Desde então, o ex-professor de direito de 42 anos defendeu a construção de casas e a ampliação da internet por todo o país, assim como a erradicação da corrupção e imposição do império da lei, e muitas outras coisas inquestionáveis.

Às vezes, a TV também mostrou como Medvedev censurava algum alto funcionário ou instituição. E o zelo com o qual imita a dureza de Putin não desagrada a maior parte dos russos.

Medvedev ocupa a presidência em momentos nos quais a grandeza da Rússia aflora sob a chuva de petrodólares e em meio a tempestades financeiras que castigam muitos países do mundo.

O papel de Putin

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Putin deixará a presidência para se tornar premiê
Medvedev foi candidato nas eleições presidenciais de 2 de março com o compromisso exclusivo de dar prosseguimento ao plano de Putin. Quando fez o discurso da vitória na Praça Vermelha, Putin estava a seu lado.

Durante a presidência de Putin os premieres foram figuras sem muita importância e sem qualquer independência em relação a ele. Porém, Putin já deixou claro que com ele no cargo isto mudará.

Em um discurso em fevereiro, descreveu a função de primeiro-ministro como a de "maior poder executivo no país", com o presidente relegado ao papel de mero e simbólico "avalista da Constitutição".

Dois terços dos russos acreditam que Putin controlará o novo presidente, de acordo com uma pesquisa realizada em abril.

Russos querem continuidade

Com um crescimento econômico de 8% no último ano e com os investimentos estrangeiros em torrente, a Rússia se cobre de enormes shoppings, as lojas de automóveis batem todos os recordes e o desejo geral parece ser o de que tudo continue da mesma forma.

Quase 80% dos entrevistados em uma pesquisa pública expressaram a esperança de que Medvédev "mantenha o mesmo rumo de Putin".

"O que as pessoas mais desejam é continuidade. Nem sequer se trata de esperanças de melhora, a esperança é que a situação não piore", declarou Denís Vólkov, especialista do Levada Center, que realizou a pesquisa.

Os últimos dias do mandato de Putin parecem confirmar estas previsões.

Durante o principal acontecimento destes dias, o Congresso do partido governista Rússia Unida, o protagonismo de Putin, que agora liderou o partido sem sequer ser militante, foi indubitável.

O próprio Medvédev destacou isto ao afirmar que "sob a direção de Putin, o Rússia Unida contribuirá para o desenvolvimento das instituições democráticas".

Os mais pessimistas vêem em Medvedev um jovem ambicioso, mas incapaz de mudar algo para melhor.

Afirmam que sob a presidência de Medvedev o gigante do gás Gazprom não se tornou mais transparente ou eficaz. Além disso, citam o pouco progresso dos programas nacionais que ele liderou, como o de saúde, ensino, moradia e agricultura.

No entanto, seria pouco honesto responsabilizar Medvedev, que durante estes oito anos não foi mais que um executor das decisões de Putin, encerram seus simpatizantes.

(*Com informações das agências EFE e AFP)

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