Dilma visitará Argentina e Uruguai primeiro, diz assessor

Segundo Marco Aurélio Garcia, Estados Unidos, China e Bulgária, terra natal de presidenta, estão no roteiro das próximas viagens

BBC Brasil |

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A primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff deverá ser para a Argentina e o Uruguai, em datas ainda não definidas, segundo o assessor de assuntos internacionais da Presidencia, Marco Aurélio Garcia.

Neste domingo, após a cerimônia de transmissão de cargo para o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, Garcia disse que, depois de ir aos países sul-americanos, Dilma deverá viajar para os Estados Unidos, para a China e para a Bulgária, terra natal de seu pai.

As datas dessas viagens tampouco estão definidas. Sobre o caso Cesare Battisti (ex-ativista político italiano que teve o pedido de extradição negado pelo governo brasileiro), o assessor da Presidência disse que as relações entre Brasil e Itália podem sofrer "pequenos contrangimentos durante um período brevíssimo". No entanto, ele afirmou que a presença do embaixador italiano na posse de Dilma indica que existe disposição para o diálogo.

"Ninguém deve se impressionar com posições políticas que estejam surgindo por parte de algumas figuras e alguns partidos. Isso é normal e sabemos lidar com essas situações", disse Garcia, que classificou de "soberana" a decisão brasileira no caso.

Primeiro dia

Em seu primeiro dia após tomar posse, a presidente Dilma Rousseff teve neste domingo uma série de encontros bilaterais com chefes de Estado e de governo estrangeiros.

Dilma se encontrou com o príncipe espanhol Felipe de Bourbon; com o presidente do Uruguai, José Mujica; com o primeiro-ministro da Coreia do Sul, Kim Hwang-Sik; com o primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates; com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas; com o primeiro-vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura; e com o ex-primeiro-ministro do Japão Taro Aso.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deveria ser o primeiro líder a se reunir com a presidente neste domingo, mas cancelou o encontro. Chávez voltou a Caracas para acompanhar de perto as ações contra as enchentes que atingem o país.

Em todos os encontros, Dilma esteve acompanhada por Patriota e Garcia. Novo chanceler Em seu primeiro discurso como ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota elogiou o trabalho feito nos últimos oito anos por seu antecessor, Celso Amorim, de quem foi vice-chanceler. Segundo Patriota, o Brasil se consolidou como um "país sul-americano convicto" e um ator com "autoridade natural" para se engajar nos debates de política externa.

O chanceler disse esperar que grupos como o G20 sejam "sensíveis aos anseios e interesses dos mais de 150 países que não sentam em suas reuniões". Patriota deu ainda importância aos blocos sul-americanos do Mercosul e da Unasul, enfatizando a relação Brasil-Argentina, que, segundo ele, está na "plenitude".

Em sua fala de despedida, o ex-chanceler Celso Amorim disse que saía com a sensação de "dever cumprido" por ter praticado uma política externa "altiva e ativa". Segundo ele, a postura diplomática recente do Brasil atraiu a simpatia de "gente simples que talvez nem pensasse em relações exteriores" antes desse período.

Amorim se referiu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o mentor da política externa brasileira dos últimos anos, citando a maior proximidade do Brasil com países da América do Sul e da África. O ex-chanceler afirmou que ele e Lula estabeleceram uma relação próxima à "telepatia" quanto à tomada de decisões.

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