Dilma visita Haiti após viagem a Cuba

Presidenta reiterou a redução do contingente de militares brasileiros no país de 2,2 mil para 1,9 mil homens

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff chegou nesta quarta-feira ao Haiti, o país mais pobre das Américas, para uma visita de poucas horas dedicada a uma reunião com seu colega haitiano, Michel Martelly, e a uma visita às tropas brasileiras que lideram a missão das Nações Unidas no país caribenho.

Planalto
A presidente Dilma Rousseff desembarca para visita oficial ao Haiti
Ao chegar ao aeroporto internacional de Porto Príncipe, Dilma foi recebida por Martelly, pelo primeiro-ministro haitiano, Gary Conille, e por vários membros do governo. Após as boas-vindas, Dilma e Martelly se dirigiram ao Palácio Presidencial, onde tiveram um encontro privado e uma reunião mais ampla com as duas equipes governamentais.

Em Cuba: Dilma diz que violações de direitos humanos ocorrem em todos os países

Encontro: Dilma encontra-se com Fidel Castro, diz site governista

A chegada da presidenta teve ares de festa no aeroporto e na cidade. Na pequena base diplomática do governo haitiano no aeroporto internacional Toussaint Louverture, faixas com a foto da presidenta e os dizeres "Bem-vinda Dilma, essa é sua casa", em português e francês. Ao longo do caminho até o Palácio Nacional - praticamente destruído no terremoto de 2010 - as mesmas faixas, além de bandeiras do Brasil e do Haiti, enfeitavam as ruas.

Dilma, que visita o Haiti pela primeira vez desde sua posse na Presidência, chegou ao país após finalizar uma viagem de 48 horas a Cuba .

Ela reiterou a redução do contingente de militares brasileiros no país de 2,2 mil para 1,9 mil homens. O Brasil comanda a Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti, conhecida como Minustah, criada em 2004.

A tropa brasileira foi reforçada após o terremoto que devastou o Haiti em janeiro de 2010 . Com a redução, o contingente voltar a ter o número de militares que tinha antes da tragédia.

A mudança, segundo Dilma, faz parte de uma nova estratégia de segurança para o Haiti, que inclui a redução gradual da presença militar no país. “Temos que pensar a longo prazo e, por isso, uma comissão vai ser instalada para avaliar a segurança na medida que haja sistemática redução das tropas da Minustah”, disse a presidenta em declaração à imprensa no Palácio Presidencial haitiano, em Porto Príncipe.

Dilma também falou sobre a imigração de haitianos para o Brasil, condenou a ação de "coiotes" (pessoas que atravessam os imigrantes ilegalmente pelas fronteiras, cobrando por isso) e reforçou as medidas adotadas recentemente pelo governo brasileiro para concessão de vistos e repressão ao tráfico de pessoas vindas do Haiti .

A presidenta disse que o Brasil está aberto para receber o povo haitiano, mas que é preciso combater os coiotes que agem no recrutamento e no transporte ilegal de imigrantes para o Brasil. “Devemos combater esses criminosos, que se aproveitam das vulnerabilidades das famílias, expondo-as a situações desumanas durante a travessia, além de explorá-las, cobrando taxas escorchantes”.

Planalto
Presidente do Haiti, Michel Martelly, cumprimenta a líder brasileira, Dilma Rousseff

A presidenta lembrou a mudança de regras na concessão de vistos brasileiros para haitianos, que entraram em vigor recentemente, e disse que as medidas foram tomadas em reconhecimento às dificuldades sociais e econômicas do povo haitiano.

Em janeiro, o governo brasileiro decidiu regularizar cerca de 4 mil haitianos que já estão no Brasil e criou um visto especial de permanência, que não exige a comprovação de vínculo empregatício no Brasil antes da vinda para o país. As novas regras poderão beneficiar 1,2 mil haitianos por ano.

“Reafirmo o duplo propósito das políticas de visto: garantir o acesso em condições de segurança e de dignidade e, ao mesmo tempo, combater o tráfico de pessoas, o que temos feito em cooperação com países vizinhos”, disse a presidenta.

Além das questões militares e da situação dos imigrantes, durante a visita ao Haiti, Dilma também está discutindo medidas de apoio ao desenvolvimento econômico e reconstrução do país. A agenda da presidenta no país inclui um encontro com organizações não governamentais brasileiras que trabalham com ajuda humanitária no Haiti e uma visita ao batalhão brasileiro na Minustah.

*Com EFE, Agência Brasil e AE

    Leia tudo sobre: haitibrasildilma rousseffdilma no haiti

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG