Dilma Rousseff envia mensagem de apoio para Chávez

Presidenta ressalta 'coragem' de líder venezuelano, que se recupera de cirurgia em Cuba para retirar tumor em região pélvica

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff transmitiu nesta sexta-feira uma mensagem de apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que se recupera em Cuba de uma cirurgia para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica.

Em mensagem divulgada pela Secretaria de Imprensa da República, Dilma envia ao líder venezuelano “votos de um pronto restabelecimento”.

A presidenta ressalta ainda que em momentos difíceis, “é importante não só o cuidado dos médicos, como nossa coragem pessoal e a solidariedade dos amigos”. “Coragem não lhe falta, presidente Chávez, e esteja certo de que não lhe falta também a solidariedade de todos os amigos”, acrescenta a presidenta na mensagem.

Nesta sexta-feira, depois de Chávez anunciar que sofre de câncer , o vice-presidente venezuelano, Elias Jaua, conclamou os simpatizantes do governo a mostrar "unidade" e "disciplina socialista", dizendo que a direção do país continuará atuando "sem fraturas".

"Com otimismo e esperança do presidente temos que, povo e governo, continuar avançando", afirmou Jaua, durante um pronunciamento na televisão. "Exortamos todos os poderes públicos a unir-se na consolidação do Estado democrático", afirmou o vice-presidente, acompanhado da maioria do gabinete.

Homem de confiança de Chávez, que está à frente do governo desde que o presidente adoeceu, Jaua disse que "não é tempo para recuar" e "nem para tristeza".

"Unidade é o que precisamos nesse momento", acrescentou. Jaua afirmou que, apesar da ausência de Chávez, o governo "aprofundará" as reformas da revolução bolivariana.

Nesta sexta-feira, o chefe das Forças Armadas Henry Rangel Silva descartou a necessidade de preocupações acerca de uma possível instabilidade política no país devido à doença de Chávez. "O país está calmo", disse. "Vimos nosso comandante mais magro do que o usual, mas ainda de pé. A verdade é que ele está melhorando, está bem", acrescentou.

O chefe militar disse também que a recuperação de Chávez estaria sendo "satisfatória" e ele voltaria para casa "em breve".

Em cadeia nacional de rádio e TV, Chávez admitiu na noite da quinta-feira que foi submetido a uma segunda cirurgia para retirar um tumor cancerígeno na região pélvica. O líder cubano, Fidel Castro, foi quem lhe deu a notícia.

"Fidel Castro em pessoa, o mesmo do quartel Moncada, o mesmo do (barco) Granma, o mesmo da Sierra Maestra, o gigante de sempre, veio me anunciar a dura notícia da descoberta cancerígena", relatou Chávez, durante pronunciamento à população.

Repercussão

O governo pediu à oposição "respeito" à saúde do presidente. Em mensagens no Twitter, analistas políticos ligados à oposição pediram moderação aos políticos antichavistas. Para o diretor do Instituto Datanalisis, Luis Vicente León, "as declarações de Chávez são tão importantes que não é possível antecipar seu impacto até que seja absorvida". Apesar dos rumores sobre o estado de saúde de Chávez, os venezuelanos reagiram com surpresa e preocupação ao anúncio feito pelo "comandante".

O jornaleiro Pedro Contreras, que acompanhou o discurso, disse "ainda ter dúvidas". "Não sei, meu coração me diz que alguma coisa mais está acontecendo. É uma situação perigosa. Hoje à noite não vou dormir, estou vigilante", afirmou à BBC Brasil.

Um grupo de seguidores do presidente tomou a Praça Bolívar , no centro de Caracas, em demonstração de apoio ao mandatário. Uma frenética cadeia de mensagens de texto em celulares convoca manifestações de solidariedade para esta sexta-feira.

Novas imagens

Nesta sexta-feira também a televisão venezuelana transmitiu imagens de Chávez durante uma reunião com colaboradores em Havana. O vídeo, gravado na quarta-feira, mostra o líder conversando com seu irmão Adán Chávez, o general Henry Rangel Silva e o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro.

Reuters
Partidária de Chávez pinta seu rosto em muro de Caracas

Chávez aparece mais magro e conversando sobre vários assuntos, entre eles a suspensão da Cúpula da Comunidade de Estados Latino-americanos e do Caribe (Celac), que estava programada para o dia 5 de julho na Venezuela, mas acabou sendo cancelada devido ao estado de saúde do líder.

"Decidi seguir rigorosamente o plano de recuperação e ainda não estou em condições de atender devidamente uma cúpula de tamanha magnitude. Meu primeiro dever neste momento como revolucionário é recuperar plenamente a saúde", afirmou Chávez.

O presidente agradeceu as várias demonstrações de afeto que recebeu de líderes mundiais, comemorou a candidatura da presidente Cristina Kirchner para as eleições argentinas e brincou sobre o rigor paternal com que o líder cubano Fidel Castro o obriga a seguir com seu tratamento médico.

Festa do bicentenário

O líder venezuelano não estipulou uma data para retornar ao país, mas tudo indica que estará ausente da festa do bicentenário da independência da Venezuela. A festa acontece na terça-feira.

As autoridades venezuelanas pretendem seguir adiante com os comícios e a parada militar. Helicópteros e jatos vêm sobrevoando Caracas, treinando para a festa.

"A festa do bicentenário pertence ao governo, e o governo pertence a Chávez. Tudo pertence a Chávez", disse o soldado Frank Albarao, 23 anos, pintando linhas amarelas em um estacionamento de uma favela que dá para o palácio presidencial. "Ele é forte".

Grande evento para o país, o aniversário é especialmente significativo para o presidente, já que ele afirma ter devolvido a "independência" real à Venezuela em 1999, derrotando a hegemonia das "oligarquias capitalistas" anteriores.

Cirurgia

Durante visita à Cuba, Chávez teve de ser submetido a uma cirurgia de emergência para drenar uma abscesso pélvico que poderia ter ocasionado infecção generalizada, caso não fosse retirado. Depois dessa primeira intervenção, a equipe médica cubana realizou uma série de exames no líder venezuelano, cujos resultados apontaram a presença de um tumor na região pélvica.

Chávez foi submetido a uma segunda cirurgia e deve permanecer em tratamento intensivo para bloquear a expansão das células cancerígenas para outros órgãos. Uma fonte do governo afirmou à BBC Brasil que o presidente está passando po sessões de radioterapia.

A doença de Chávez projeta uma série de dúvidas sobre o futuro da revolução bolivariana e da candidatura à presidência em 2012, para a qual o líder venezuelano se apresentou, antecipadamente, como candidato à reeleição. Ele está no poder há doze anos. Até agora, não há no campo aliado nem opositor um nome que reúna o carisma e a popularidade imbatível de Chávez.

Com BBC

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