Dilma pode ser candidata da base aliada, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em Roma que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem o potencial para ser escolhida como candidata da base aliada ao governo para as eleições de 2010. Primeiro, tenho que construir uma candidatura junto à base aliada, disse Lula.

BBC Brasil |

"Acho que a Dilma pode ser uma boa candidata para o Brasil."
"Entretanto, sequer conversei com a ministra e quem a conhece sabe que ela tem um potencial e que poderá ser escolhida pelos partidos da base inclusive, não apenas pelo PT", acrescentou o presidente.

Lula fez o comentario em resposta a jornalistas brasileiros sobre suas declarações aos cinco principais jornais da Itália, em que disse ter em mente o nome de Dilma para sucedê-lo.

"Depois de mim, quero que o Brasil seja governado por uma mulher", disse Lula, segundo o jornal La Reppublica. "E a pessoa certa é a Dilma Rousseff."
Lula, no entanto, destacou que o ano que vem não será de campanha, mas de conclusão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

"Quem estiver pensando que eu vou fazer campanha em 2009 pode começar a tirar da agenda", afirmou.

Crise
O presidente disse que o governo vai acompanhar a atual crise financeira internacional "diariamente" e, à medida que for necessário, agirá para ajudar "este ou aquele setor" da economia até que o "medo psicológico" deixe de tomar conta e as pessoas voltem a comprar.

"Se a gente parar, a crise chega de verdade", disse o presidente. "Eu vou encontrar com o companheiro Guido (Mantega, ministro da Fazenda), amanhã em Washington. Certamente, teremos horas para conversar sobre novas medidas que o governo pode tomar."
"Eu não sei quais são, e nós vamos tomar na medida em que os segmentos da economia brasileira apresentem concretamente os problemas que estão sentindo", acrescentou.

Segundo Lula, os setores considerados prioritários para o governo são a indústria automobilística, pelo peso que representa na cadeia produtiva do PIB industrial (24%), a indústria da construção civil, pequenas e médias empresas, por causa da quantidade de empregos que geram, e a agricultura.

O presidente ressaltou o que já foi feito até o momento, como a disponibilização de capital de giro para pequenas e médias empresas, a injeção de R$ 5 bilhões para financiamento da indústria automobilística e a devolução de mais de R$ 10 bilhões do compulsório para que o sistema financeiro tenha dinheiro para irrigar o crédito na economia.

"Portanto, se depender das ações do governo, das empresas brasileiras, a economia vai continuar funcionando bem, até porque nós queremos continuar fortalecendo o mercado interno brasileiro", afirmou.

Pacotes estaduais
Sobre os pacotes anunciados recentemente pelos Estados de São Paulo e Minas Gerais, Lula disse que tem pedido a todos os governadores que puderem contribuir que o façam, porque ajudarão a manter o crescimento do seu próprio Estado.

"Esta é uma lógica, e eu acho que os Estados que tiverem recursos devem fazer para ajudar na manutenção do crescimento de seu Estado e do Brasil", afirmou.

O presidente voltou a dizer que, no Brasil, a crise é bem diferenciada porque o país tem um mercado interno forte. Mas admitiu que se há uma crise na principal economia do mundo e na Europa, seus efeitos "chegarão à China, ao Brasil, à Africa porque são grandes exportadores".

"Para nos contrapormos a isso, vamos fortalecer o mercado interno brasileiro, não vamos paralisar obras do PAC e (vamos) atrair novos investimentos", acrescentou Lula.

"Se os empresários italianos têm problemas com investimentos aqui na Itália, o Brasil é um porto mais do que seguro para os investimentos deles", completou.

Reunião do G20
Sobre a reunião dos chefes de Estado do G20 no sábado, em Washington, Lula disse acreditar na possibilidade de uma posição comum entre os emergentes.

"Temos muita afinidade com a China, os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) vão se reunir, o Guido (Mantega) já fez reunião com o Ibas (Índia, Brasil e Africa do Sul). Então, eu penso que temos uma posição uniforme", afirmou.

"Mas é a primeira reunião, em que cada presidente vai ter apenas sete minutos para fazer sua exposição."
Para Lula, é certo que o sistema financeiro precisa de uma regulação e a reunião será importante para começar a estabecer essas bases.

"É preciso reformular o FMI (Fundo Monetário Internacional), que foi criado para atender a uma determinada demanda dos países. Mas hoje o FMI não representa mais nada", afirmou. "Então, é preciso reformular totalmente as instituições."
"A ONU tem que ter um papel mais importante (regulatório), como tem a FAO (Agência das Nações Unidas para a Alimentação), o Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento)", completou.

Após a entrevista com os jornalistas na embaixada brasileira, Lula embarcou para Washington.

Na sexta-feira, o presidente tem uma série de encontros bilaterais com vários líderes, como a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o primeiro-ministro do Japão, Taro Aso.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG