Dilma e Chávez decidem aumentar 'nível estratégico' de relações

Para o governante venezuelano, os dois países devem liderar o processo de integração regional

EFE |

A presidenta Dilma Rousseff e o governante da Venezuela, Hugo Chávez, decidiram na quinta-feira aumentar o "nível estratégico" das relações bilaterais com a aprovação de vários acordos e a afirmação do venezuelano de que os dois países devem liderar o processo de integração regional.

"Decidimos aumentar o nível estratégico e a velocidade de avanço", indicou Chávez durante a reunião bilateral que teve com Dilma na quinta-feira, transmitida pela televisão estatal venezuelana. Dilma e Chávez lideraram a assinatura de 11 convênios nos quais Brasília se compromete a apoiar Caracas em setores como moradia, eletricidade e bancos.

A Venezuela, em contrapartida, mantém os contatos para a compra de 20 aeronaves comerciais do Brasil. A brasileira, que se encontra em Caracas para a cúpula constitutiva da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), destacou a decisão de aumentar a agenda de colaboração bilateral e ressaltou que a América Latina se encontra em uma "situação muito especial".

Ela manifestou sua determinação de avançar no projeto de construção da refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco), que se viu condicionado pelo desacordo entre as estatais Petrobras e PDVSA para cumprir os requisitos de financiamento .

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O projeto de construção da Abreu e Lima surgiu há mais de sete anos, após um acordo entre Chávez e o então presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva. Usando o jargão de seu antecessor, Dilma lembrou que "nunca antes" os países da América Latina tinham tido "uma oportunidade tão grande de fazer com que este continente tivesse um importante papel estratégico" nas relações internacionais.

A presidenta ressaltou a necessidade da integração produtiva dos países da região como uma forma de enfrentar a crise internacional e enfatizou a necessidade de que o Banco do Sul entre em funcionamento o mais rápido possível. "Podemos construir uma integração de outro tipo, uma integração que seja produtiva, que nos leve ao crescimento das economias e de nossos povos e a um processo que não seja a exploração de um país por outro", disse Dilma.

Já o presidente venezuelano destacou que Brasil e Venezuela, "como polos de poder", devem exercer o papel de motores dessa "dinâmica da integração sul-americana, caribenha, latino-americana". Para ele, é preciso integrar esses polos e articular um eixo que vá desde Buenos Aires, passando pelos países andinos, até o arco caribenho.

Chávez ressaltou que Venezuela e Brasil devem manter o foco sobre o combate à miséria e "avançar na complementação econômica produtiva" bilateral. O presidente venezuelano enfatizou esse último ponto e comentou, por exemplo, a possibilidade de complementação na fabricação de perfuradoras de poços petrolíferos, num momento em que o Brasil chegou a acordos com Coreia do Sul e Cingapura para desenvolvê-las, enquanto a Venezuela o fez com a China.

Os documentos assinados na quinta-feira incluem, entre outros aspectos, o respaldo do Brasil à grande missão imobiliária da Venezuela, assim como um memorando de cooperação entre a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Vivienda y Hábitat (Banavih) da Venezuela.

Além disso, assinou-se uma ata de compromisso entre a companhia aérea estatal venezuelana Conviasa e a brasileira Embraer para manter as negociações que levem à compra de até 20 aeronaves de uso comercial.

Foi também assinado um contrato para a constituição e a administração de uma empresa mista entre a construtora brasileira Odebrecht e a Corporação Venezuelana de Petróleo (CVP) e acordos de energia elétrica. Em termos alimentícios, definiu-se um memorando de entendimento entre PDVSA, Embrapa e o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea).

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