Dilma convida presidente eleito do Peru para visitar o Brasil antes de sua posse

Vitória de Ollanta Humala contra Keiko Fujimori levou à queda recorde e antecipou fechamento da Bolsa de Valores de Lima

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff convidou nesta segunda-feira o presidente eleito do Peru, Ollanta Humala, a visitar o Brasil antes de sua posse, informou o assessor para Relações Internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia.

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Humala faz sinal da vitória a partidários reunidos em Lima (5/6/2011)
Segundo Garcia, Dilma aproveitou a conversa telefônica que teve nesta segunda-feira com o nacionalista peruano para cumprimentá-lo por sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais de domingo e reafirmar a disposição do Brasil em continuar colaborando com o Peru. "Foi uma conversa positiva na qual ambos manifestaram que estão dispostos a trabalhar para aumentar a colaboração bilateral e que a presidente aproveitou para convidar Humala a uma reunião em Brasília antes que assuma seu mandato", afirmou Garcia.

Segundo o assessor, o presidente eleito do Peru manifestou sua disposição em visitar Brasília, mas esclareceu que ainda tem de definir sua agenda após a vitória nas eleições.

Nesta segunda-feira, a candidata direitista Keiko Fujimori reconheceu sua derrota para Humala, desejando sucesso ao futuro governo. "Vimos que os resultados oficiais dão como vencedor o senhor Ollanta Humala, reconheço seu triunfo, saúdo sua vitória e lhe desejo sorte", disse. Ela também declarou que agora é o momento de "iniciar o diálogo" para que o país "não se detenha".

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de prisão em 2009 por violação dos direitos humanos, também disse que iria a um hotel de Lima onde o presidente eleito se instalou para cumprimentá-lo pessoalmente. Afirmou que a campanha eleitoral foi "muito polarizada" e era "hora de construir pontes".

Segundo a contagem oficial da autoridade eleitoral, com 90,5% dos votos apurados, Humala alcançou 51,37% dos votos, enquanto Keiko obteve 48,63%.

Keiko, de 36 anos, afirmou que, para lutar contra a pobreza no país, é fundamental dar continuidade "ao rumo econômico traçado e que se mantenham regras claras que criem confiança". "Estenderemos as pontes necessárias para assegurar a governabilidade do Peru e seremos a oposição representada por 48% dos peruanos que confiam no modelo que defendemos", afirmou, destacando que sua bancada parlamentar no Congresso será uma "oposição sólida" que defenderá suas convicções.

Desafios

Com 48 anos, Humala enfrenta desde esta segunda-feira um desafio duplo: dar sinais de uma reconciliação política num país polarizado e tranquilizar os mercados , cuja forte queda em reação à sua vitória provocou o fechamento antecipado das operações da Bolsa de Valores de Lima. Com queda de 12,51%, a maior de sua história, a Bolsa de Valores de Lima fechou duas horas antes do pregão normal.

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Preidente eleito do Peru, Ollanta Humala, fala em comício em Lima para partidários depois de vencer segundo turno eleitoral

Investidores e líderes empresariais temem que ele aumente o controle estatal da economia, abandone a disciplina fiscal, renegue acordos de livre comércio e ponha em perigo o recente sucesso econômico do país por meio de políticas intervencionistas e aumento dos gastos sociais. Keiko era a favorita dos investidores, mas muitos eleitores votaram contra ela por causa de seu pai.

Em meio a um clima de incerteza, as operações na Bolsa de Lima foram suspensas durante duas horas logo após terem sido abertas em queda de 8,71% , sendo os principais afetados os títulos das empresas mineradoras: a Austral chegou a cair 17,8%, enquanto a Atacocha 15,6% e a Volcán, 15%.

Por volta do meio-dia as atividades foram reabertas, mas voltaram a fechar duas horas antes do fim do pregão por causa da queda de 12,51%. Pedro Pablo Kuczynski, candidato conservador derrotado no primeiro turno e ex-ministro de Economia, havia advertido para problemas no setor de mineração, referindo-se a uma proposta de Humala de aplicar um imposto extraordinário sobre os lucros das empresas mineradoras, um aspecto central do programa de governo.

O responsável pela diplomacia dos EUA para a América Latina, Arturo Valenzuela, anunciou durante o dia que Washington estava " disposto a trabalhar com ele (Humala), como vínhamos trabalhando com as autoridades do Peru".

Antes mesmo do fim da apuração oficial, aumenta a pressão para que Humala anuncie os nomes dos que ocuparão os cargos de primeiro-ministro e ministro da Economia.

As incertezas do mercado têm relação com o fato de que, na eleição presidencial de 2006, Humala recebeu um forte apoio do presidente venezuelano Hugo Chávez, assustando o setor privado. Apesar de Humala ter-se distanciado de Chávez e apresentado um programa moderado, as propostas iniciais de estatização e reforma da Constituição causaram desconfiança sobre suas verdadeiras intenções.

Na noite de domingo, Humala se mostrou conciliador no discurso da vitória diante de milhares de partidários reunidos na praça 3 de maio em Lima. Prometeu dar "continuidado ao crescimento econômico, e que este será o grande motor do desenvolvimento social do país", tentando tranquilizar os investidores.

Disse também que seu governo convocará "os melhores técnicos independentes para poder fazer um governo de base ampla, em que ninguém se sinta excluído". No entanto, nesta segunda-feira, seu vice, Omar Chehade, provocou temores de que a polarização aumente ao declarar que o ex-presidente  Fujimori, que desde 2009 cumpre uma sentença de 25 anos numa unidade policial em Lima, deve ir para uma penitenciária comum.

*Com AFP, EFE e Reuters

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