A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou neste sábado em São Paulo que deve passar por um tratamento contra câncer no sistema linfático, depois que foi retirado um tumor de dois centímetros de sua axila. Em entrevista coletiva no Hospital Sírio Libanês, a ministra afirmou que foi detectado um nódulo, que já foi retirado.

Exames posteriores detectaram que o nódulo era o único foco da doença em seu organismo.

Segundo os médicos o tratamento de quimioterapia preventiva, para evitar o aparecimento de novos nódulos, deve durar quatro meses.

A ministra passou por uma cirurgia de implantação de um cateter de longa permanência embaixo do braço, para facilitar o tratamento de quimioterapia.

Durante a entrevista em São Paulo, Dilma afirmou que, apesar da quimioterapia, seu ritmo de trabalho seguirá inalterado.

"Vou manter minhas atividades no mesmo ritmo. Não há uma incompatibilidade entre o trabalho e tratamento. Esse tratamento não implica que eu tenha que me retrair ao deixar de comparecer à minha atividade. Acredito até que vai ser um fator para me impulsionar."
Agradecendo aos médicos e funcionários do hospital, a ministra afirmou que se sente "muito segura" em relação à sua recuperação, mas admitiu que o tratamento não será fácil.

"A quimioterapia é sempre algo muito desagradável, mas como tantas mulheres e homens que enfrentam esse desafio e superam, tenho certeza que nesse caso vou ter um processo de superação dessa doença", afirmou.

Os médicos afirmaram que como o linfoma está em estado inicial, o tratamento não é considerado agressivo. A perspectiva para o tratamento é a "melhor possível", mais de 90% de chances de recuperação segundo o médico Roberto Kalil Filho, cardiologista de Dilma.

Dilma Rousseff está cotada para ser a candidata do PT nas eleições presidenciais de 2010, contando inclusive com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas, na entrevista coletiva deste sábado, a ministra preferiu não tocar no assunto repetindo a frase que já disse em entrevistas anteriores, de que não responde a perguntas sobre este assunto "nem amarrada".

Tanto o governo quanto a oposição se mostraram surpresos com a notícia. O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana, disse que é "inapropriado" falar de política nesse momento.

"Não é hora de falar de eleição. É um momento que exige solidariedade. Além disso, o diagnóstico foi precoce, o que aumenta muito as chances de cura", disse Fontana.

O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, também afirmou ser "inadequada" uma discussão política e que ainda trabalha com a possibilidade de a ministra ser candidata em 2010.

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