Especialistas acreditam ter identificado um novo quadro de Leonardo Da Vinci após análise de impressões digitais encontradas na obra. Um laboratório parisiense concluiu que as digitais são altamente semelhantes a outras, encontradas em um quadro do artista no acervo do Vaticano.

Segundo a publicação especializada britânica Antiques Trade Gazette, o quadro, que havia sido catalogado como "obra alemã do início do século 19", pode valer dezenas de milhões de dólares.

Há dois anos, ele foi comprada por cerca de US$ 19 mil.

Se for confirmado que se trata de fato de um quadro de Leonardo Da Vinci, será a primeira vez que uma obra do artista é identificada nos últimos cem anos.

Pistas
Um especialista encontrou a impressão digital na parte superior esquerda do quadro. Ela corresponderia à ponta do dedo indicador ou médio do artista renascentista.

Segundo a publicação, a marca seria muito parecida com uma outra, encontrada no quadro São Jerônimo, exposto no Vaticano, pintado no início da carreira de Da Vinci, quando, acredita-se, ele não usava assistentes.

Além disso, análises com radiação infra-vermelha revelaram semelhanças de estilo entre a obra recém identificada e o Retrato de Uma Mulher em Perfil, que hoje adorna uma parede do Castelo de Windsor, na Grã-Bretanha.

Segundo a Antiques Trade Gazette, a análise revelou também que o desenho e o sombreado teriam sido feitos por um artista canhoto - como, acredita-se, seria Da Vinci.

Feito com tinta e giz, o retrato mostra uma jovem em perfil, com traje e cabelo no estilo milanês típico do século 15. Exames de carbono para determinação da idade dos objetos confirmam que a obra dataria desse período.

O professor de história da arte Martin Kemp, da Oxford University, disse acreditar que a adolescente retratada seria Bianca Sforza, filha de Ludovico Sforza, duque de Milão (1452-1508) com sua amante, Bernardina de Corradis.

Kemp disse que sua suposição foi feita "por eliminação".

O retrato, que mede em torno de 33 x 22 cm, foi vendido na Christie's de Nova York em 1998, em um leilão de desenhos de grandes mestres.

O preço foi estimado entre US$ 12 mil e US$ 16 mil, mas o quadro acabou sendo arrebatado por US$ 19 mil.

Em 2007, a obra foi vendida por preço similar ao canadense Peter Silverman.

Silverman acreditava que havia algo de especial no retrato e começou a investigar o assunto após uma discussão, no ano passado, com o especialista Nicholas Turner, ex-encarregado de desenhos e gravuras do Museu Britânico.

O quadro deve ser exposto na Suécia em 2010.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.