Diferenças entre israelenses e palestinos persistem após reunião trilateral

Macarena Vidal. Nações Unidas, 22 set (EFE).- A reunião trilateral entre o governante dos Estados Unidos, Barack Obama, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, terminou hoje com uma forte chamada do americano para o restabelecimento das negociações de paz, mas sem o fim das diferenças entre as partes.

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O líder americano instruiu seu enviado especial à região, George Mitchell, a se reunir em Washington com representantes de ambas as partes e continuar as negociações para restabelecer o processo de paz.

O prazo é até meados de outubro, quando a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, deverá informar sobre os progressos obtidos.

Em reunião descrita por Mitchell como de tom "cordial" mas "direta e franca, em algumas ocasiões brusca", Obama afirmou que israelenses e palestinos devem fazer mais para "retomar as conversas de paz o mais rápido possível".

Ao começar a primeira reunião a este nível entre israelenses e palestinos em cerca de um ano, e a primeira de seu mandato, Obama afirmou que tanto o primeiro-ministro israelense como o presidente palestino devem "mostrar sua disposição a conseguir resultados".

Segundo Obama, apesar de desde janeiro terem sido registrados progressos, os palestinos devem continuar fazendo mais em matéria de segurança e deter a incitação à violência, enquanto os israelenses, que "deram importantes passos para refrear a atividade dos assentamentos", devem transformar essas propostas em "atos reais".

Além disso, os Estados árabes devem "dar passos para promover a paz", sustentou.

"É o momento de demonstrar a flexibilidade e o bom senso, e o sentido do compromisso necessário para atingir nossas metas. As negociações sobre o status permanente devem começar em breve, e precisamos dar a essas negociações a oportunidade de ter êxito", destacou o presidente americano.

Isto, ressaltou, "depende de todas as partes, que devem atuar com um sentimento de urgência".

A reunião de hoje foi precedida de diferentes encontros bilaterais de Obama com Netanyahu e Abbas, de uma duração de aproximadamente 40 minutos cada um.

Ao término das reuniões, Mitchell, presente em todas elas, reconheceu que apesar de israelenses e palestinos estarem de acordo na necessidade de retomar as conversas de paz o mais rápido possível, "persistem as diferenças sobre como se deve proceder".

Os palestinos acusam Israel de rejeitar a suspensão das construções nos assentamentos dos territórios ocupados. Também protestam porque o Estado judeu quer começar conversas de paz sem estar disposto a abordar assuntos como o dos refugiados palestinos ou o status definitivo de Jerusalém, que ambas as partes reivindicam como capital.

Por sua parte, o primeiro-ministro israelense, que chegou no início deste ano ao poder liderando uma coalizão de direita, sustenta que o destino dos assentamentos deve ser decidido durante as negociações, e alega que os palestinos assumiram uma posição de intransigência.

A este respeito, Mitchell insistiu sobre a questão dos assentamentos, na qual para os EUA "nada está pré-condicionado".

"O que queremos é começar as negociações. Os Estados Unidos não impõem condições e pedimos a outros que também não as imponham", indicou em uma clara referência às objeções palestinas.

Desde que chegou ao poder, Obama pressionou Israel para que suspenda as edificações nos assentamentos, o que incomodou o Governo de Netanyahu.

Mas a reunião de hoje parece apontar para uma mudança no enfoque americano: se até agora Washington tinha falado de "suspender" os assentamentos, hoje Obama simplesmente fez referência em "frear" estas construções.

Posteriormente, o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, insistiu em que o Governo israelense deve paralisar totalmente a expansão dos assentamentos para retomar o processo de paz.

"Nossa postura foi e continua sendo a de que eles devem cumprir as obrigações detalhadas no plano de paz para o Oriente Médio", declarou.

Já Netanyahu disse que "há um consenso geral, incluindo da parte palestina, de que o processo de paz deve recomeçar assim que possível, e sem pré-condições".

A Casa Branca tinha tratado de diminuir as expectativas sobre a reunião de hoje, ao indicar que não eram esperados anúncios, e se tratava de ressaltar a implicação pessoal do presidente americano para conseguir uma paz no Oriente Médio maior que a de seus antecessores.

Desde sua chegada ao poder, Obama insistiu em que uma paz no Oriente Médio que inclua a coexistência de dois Estados, o israelense e o palestino, é uma de suas prioridades, embora até o momento a estagnação persista. EFE mv/mh

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