Diferenças cerebrais indicam propensão à depressão

CHICAGO (Reuters) - Pessoas com histórico familiar de risco para a depressão têm menos matéria cerebral no hemisfério cerebral direito, em níveis compatíveis com a perda provocada pelo mal de Alzheimer, disseram pesquisadores dos EUA na segunda-feira. Tomografias cerebrais mostraram um afinamento de 28 por cento no córtex (a camada mais externa do cérebro) direito, nas pessoas que possuíam um histórico familiar de depressão, em comparação com as que não possuíam.

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"A diferença foi tão grande que em princípio quase não acreditamos. Mas checamos e rechecamos todos os nossos dados e buscamos todas as explicações alternativas possíveis, e a diferença continuava lá", disse Bradley Peterson, do Centro Médico da Universidade Columbia e do Instituto Psiquiátrico do Estado de Nova York.

O estudo dele foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, com base em exames de 131 pessoas de 6 a 54 anos de idade, com ou sem histórico familiar de depressão.

A equipe buscava especificamente anomalias cerebrais que pudessem sinalizar uma predisposição à depressão, e não mudanças que poderiam ser provocadas pela doença.

O afinamento do lado direito estava apenas ligado à predisposição familiar à depressão. Pessoas efetivamente deprimidas tinham esse afinamento também no lado esquerdo do córtex.

"Como estudos biológicos anteriores só focavam um número relativamente pequeno de indivíduos que já sofriam de depressão, suas conclusões eram incapazes de esclarecer se essas diferenças representavam as causas da doença depressiva, ou uma consequência", disse Peterson.

De acordo com ele, ter o lado direito do córtex mais fino pode aumentar o risco de depressão por perturbar a capacidade de decodificar as outras pessoas e de obter pistas sociais e emocionais a partir delas.

Os cientistas submeteram os participantes do estudo a testes de memória e atenção, e concluíram que quanto menos matéria cerebral há no córtex direito, pior o desempenho da pessoa nesses testes.

"Nossas descobertas sugerem bastante fortemente que se você tem o afinamento no hemisfério direito do cérebro, pode estar predisposto à depressão e também pode ter algumas questões cognitivas e de desatenção", acrescentou.

Peterson disse ainda que as descobertas sugerem que estimulantes e outros medicamentos usados para tratar os problemas de atenção poderiam ser úteis no tratamento de alguns pacientes de depressão.

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