Dido enfurece protestantes irlandeses com homenagem ao IRA

Dublin, 8 dez (EFE).- A cantora inglesa Dido, conhecida por seus temas pegajosos, enfureceu os políticos protestantes da Irlanda do Norte por incluir em seu último trabalho uma canção que homenageia o Exército Republicano Irlandês (IRA).

EFE |

A artista, cujo pai, já morto, era irlandês, reúne canção "Let's Do The Things We Normally Do", de seu novo álbum, versos de uma famosa canção dos anos 70 que chegou a ser proibida pela "BBC": "The Men Behind The Wire" ("Os Homens Atrás das Grades"), do grupo folk Barleycorn, de Belfast.

Eram os tempos de início do conflito na província e das prisões sem julgamento de supostos rebeldes irlandeses pelo Governo britânico.

Apesar do tempo passado e do processo de paz na região estar consolidado, essa canção está agora associada a grupos terroristas dissidentes do IRA, como o IRA de Continuidade e o IRA Autêntico, responsável pelo massacre de Omagh, em1998, na qual morreram 29 pessoas.

Dido, de 36 anos, tomada emprestados versos como os seguintes: "Carros blindados e tanques/Vieram para levar nossos filhos/E todos se puseram atrás/Dos homens atrás das grades".

O uso dessas palavras foi considerado hoje "insensível" e ofensivo para as famílias das vítimas do IRA pelo ministro norte-irlandês de Esportes e Artes, Gregory Campbell, membro do majoritário Partido Democrático Unionista (DUP).

"Dadas suas raízes irlandesas, é inconcebível que não saiba o contexto dessas palavras. Deve saber que foi escrita sobre pessoas que eram assassinas e terroristas. Deveria esclarecer tudo isto para que seus seguidores e o público em geral saibam qual é sua postura", exigiu Campbell.

Segundo as críticas musicais, o terceiro álbum solo de Dido, "Safe Trip Home", está inspirado, em parte, pela morte em 2006 de seu pai, William O'Malley Armstrong, protestante norte-irlandês.

Dido, cujo nome real é Florian Cloud De Bounevialle O'Malley Armstrong, também declarou anteriormente em entrevistas que muitas lembranças de sua infância giram em torno das canções tradicionais com as quais seu pai ela e seu irmão Rolo, com quem fez o grupo Faithless antes de iniciar carreira solo com o álbum No Angel, em 2000. EFE ja/jp

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