Na primeira entrevista concedida desde que deixou o cargo, o ex-vice-presidente americano disse temer que a política antiterrorista do governo Barack Obama exponha os Estados Unidos a graves atentados.

Getty Images
Cheney criticou fechamento de Guantánamo
Cheney criticou fechamento de Guantánamo
Em entrevista ao site Politico.com, Cheney afirmou que o novo presidente dos Estados Unidos ainda vai se arrepender de ter fechado Guantánamo e de ter restringido as técnicas de interrogatório de suspeitos de terrorismo.

"Eu me preocupo quando temos pessoas que estão mais preocupadas em ler os direitos de um terrorista da Al-Qaeda do que proteger os Estados Unidos de pessoas que estão totalmente comprometidas a fazer o que podem para matar americanos", disse Cheney.

Segundo ele, proteger o país é tarefa "difícil, maldosa, suja, imunda". "Essas pessoas são más. Não vamos ganhar esta batalha dando a cara a tapa", advertiu Cheney, considerado um dos vice-presidentes mais poderosos da história dos Estados Unidos.

Citando relatórios da inteligência do país, ele disse que cerca de 11% ou 12% dos ex-prisioneiros de Guantánamo voltaram a praticar atos terroristas depois da libertação.

Cheney chamou a detenção de "um programa de primeira classe" e um local "necessário" que opera legalmente e oferece aos prisioneiros um tratamento melhor do que teriam em prisões de seus países de origem.

"Os Estados Unidos precisam ser respeitados, e não amados. Para isso, às vezes é preciso tomar decisões que geram controvérsia", afirmou ele, em referência a Guantánamo. "Não tenho certeza se a administração Obama acredita nisso".

Ataques

Cheney disse acreditar que "uma arma nuclear ou um agente biológico" colocado por extremistas no coração de uma cidade americana constituiria "a ameaça mais grave" contra os EUA desde os atentados de 11 de setembro.

Este tipo de ameaça, que "pode matar centenas de milhares de pessoas", é "do tipo das que exigem um tempo enorme para se prevenir", afirmou. "Penso que uma tentativa deste gênero é altamente provável", alertou Cheney.

A prevenção desta ameaça "depende da manutenção da política que nos permitiu neutralizar todas as tentativas de atentados em grande escala contra os Estados Unidos desde o 11/9", prosseguiu.

Cheney ainda revelou na entrevista que conversou na semana passada com o ex-presidente Bush, que estava "bem". "Foi uma conversa agradável e pessoal, não sobre política", contou. "Somos dois cidadãos, dois civis".

Leia também:


Leia mais sobre:
Dick Cheney

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.