Dick Cheney confirma compromisso com Geórgia em Tbilisi

Misha Vignanski. Tbilisi, 4 set (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, destacou hoje em Tbilisi o compromisso de seu país e do mundo livre com a reconstrução econômica e a integridade territorial da Geórgia, além de dar apoio pessoal ao presidente deste país, Mikhail Saakashvili.

EFE |

Em declaração conjunta com o presidente georgiano à imprensa, Cheney expressou todo o apoio dos EUA ao Governo democraticamente eleito da Geórgia e afirmou que "as ações da Rússia questionam a confiança nela como parceiro internacional".

O vice-presidente americano classificou a atuação russa no conflito de "tentativa ilegítima e unilateral de modificar por meio da força" as fronteiras da Geórgia, algo que "foi universalmente condenado pelo mundo livre", afirmou.

"Os americanos são muito conscientes das grandes provas que seu país enfrentou nas últimas quatro semanas e são solidários ao povo da Geórgia", declarou.

Cheney lembrou que o presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou na última quarta uma ajuda para a Geórgia de US$ 1 bilhão que será destinada à reconstrução do país e à assistência a refugiados.

"Chegou a hora de ajudar a Geórgia", disse o vice-presidente, após destacar que militares georgianos apoiaram as Forças Armadas americanas no Iraque.

Cheney reiterou o apoio da Casa Branca aos planos da Geórgia de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que em sua cúpula passada, realizada em Bucareste (Romênia), se comprometeu a aceitar o país como membro, embora sem estabelecer prazos para que isto aconteça.

A visita de Cheney a Tbilisi representa um grande apoio pessoal a Saakashvili, cujas posições no interior do país ficaram sem dúvidas enfraquecidas após o conflito armado de agosto passado.

As autoridades da Rússia consideram o chefe do Estado georgiano um cadáver político e não escondem que as relações com seu vizinho só poderão ser normalizadas após Saakashvili abandonar o poder.

"Não estamos sozinhos. Sentimos o grande apoio de EUA, Japão, China e da União Européia", disse Saakashvili em inglês.

O chefe de Estado georgiano afirmou que na Abkházia e na Ossétia do Sul, territórios que a Geórgia declarou ocupados pela Rússia, "aconteceu uma limpeza étnica, cuja legalização não se pode permitir".

Fez um pedido ao mundo para rejeitar as independências declaradas pela Abkházia e pela Ossétia do Sul, reconhecidas apenas pela Rússia e pelo presidente da Nicarágua, Daniel Ortega.

"Estamos dispostos ao diálogo com todos, com todos os países, com os vizinhos", declarou Saakashvili na declaração, transmitida ao vivo pela TV e na qual não foram permitidas perguntas.

Após quatro horas em Tbilisi, o vice-presidente seguiu viagem rumo a Kiev, onde hoje mesmo se reunirá com o presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko.

Em uma demonstração de boa vontade que coincidiu com a visita de Cheney, a Geórgia restabeleceu o sistema simplificado de concessão de vistos para os cidadãos russos, suspenso após o conflito bélico.

"Não há estado de guerra e não há necessidade de criar problemas.

Por isto o presidente da Geórgia adotou esta decisão", declarou o vice-ministro de Assuntos Exteriores georgiano, Grigori Vashadze, ao anunciar a medida.

O Parlamento revogou o estado de guerra em todo o território da Geórgia, declarado em 9 de agosto após a incursão das tropas russas em território georgiano.

No entanto, o Legislativo manteve o estado de exceção nas regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, cuja independência foi reconhecida na semana passada pela Rússia.

Assim como antes do conflito, os cidadãos russos poderão obter, ao chegarem ao país, visto turístico de 90 dias, sob pagamento prévio de US$ 30.

No final da semana passada, quando a Geórgia rompeu relações diplomáticas com a Rússia, o Ministério de Exteriores havia anunciado que os cidadãos russos só poderiam visitar o país mediante convite. EFE bsi/fh/fal

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