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Diário que seria de Reyes fala em ruptura das Farc com tráfico

Quito, 29 jul (EFE).- O diário que seria de Raúl Reyes, ex-porta-voz internacional das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) que morreu em um bombardeio no Equador, diz que a guerrilha deveria romper sua relação com o narcotráfico.

EFE |

O texto, com data de 30 de novembro de 2007, foi entregue hoje pelo Governo do Equador à Promotoria e, possivelmente, faz parte do diário de "Raúl Reyes", morto em um ataque militar colombiano em território do Equador em 1º de março de 2008.

Uma cópia das partes desse diário manuscrito, com letra clara e com maiúsculas, foi entregue também à imprensa.

Em coletiva de imprensa, o ministro do Interior, Gustavo Jalkh, e o chanceler, Fander Falconí, explicaram que não consideram falso ou verdadeiro o documento, que também foi enviado à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Segundo o texto distribuído, Luis Édgar Devia, verdadeiro nome de "Raúl Reyes", escreve que "qualquer projeto futuro de regenerar a guerrilha passa por terminar com toda relação com o narcotráfico".

Para o chefe guerrilheiro, havia duas linhas de ação a serem seguidas: libertação de presos e "sair da dependência do negócio da droga".

"Reyes" escreve sobre outras formas de se sustentam para se libertar da droga, mas assegura no diário que tem que "trabalhar com extremo cuidado". "Sei que estamos infiltrados em todos os níveis", explica.

O suposto diário do líder guerrilheiro faz graves acusações contra ex-membros do Governo do Equador e menciona uma suposta "traição" do presidente Rafael Correa.

Em 9 de fevereiro, menos de um mês antes do bombardeio colombiano no Equador, "Reyes" afirma que "confiar em Correa foi um suicídio".

"Todas as doações em dinheiro para a campanha de Correa não serviram para nada", afirmou.

E no último parágrafo do dia 23 de fevereiro, diz: "estou cercado, sinto com toda minha experiência militar. Meu final está perto, mas isso não é o que mais me preocupa, o amargo é tomar consciência que caí como uma criança na armadilha de Correa".

O guerrilheiro diz que pessoas que se aproximaram dele eram "agentes duplos" e menciona o ex-ministro do Equador Gustavo Larrea, o coronel equatoriano retirado Jorge Brito e seu amigo, o médico Luis Ayala. "Eles se movimentam com os cartéis mexicanos da droga", conta.

O diário advertia também sobre uma invasão da Venezuela por parte dos Estados Unidos.

Em parágrafos não datados, mas aparentemente escritos antes de 9 de setembro de 2007, "Reyes" assegura que "caso aconteça a invasão à Venezuela, a guerra inflamará toda a região andina" e prevê uma guerra "longa".

Segundo ele, no entanto, "se a Venezuela combater com tudo o que têm para ganhar, os gringos vão sofrer mais danos que no Iraque ou no Afeganistão". EFE ei/rr

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