Diante de tentativa de atentado em avião, EUA admitem falhas de segurança

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 28 dez (EFE).- O Governo dos Estados Unidos defendeu durante o final de semana que os sistemas de segurança de seus aeroportos funcionam, mas retrocedeu hoje e reconheceu, diante das evidências, que "falhou" no caso do voo da Northwest Airlines entre Amsterdã e Detroit.

A secretária de Segurança Nacional americana, Janet Napolitano, disse hoje que suas afirmações de domingo em relação ao bom funcionamento dos sistemas de segurança foram retiradas de contexto.

Hoje, em entrevista à rede de televisão "NBC", Napolitano se perguntou: "Como este indivíduo pôde subir em um avião?".

"Nosso sistema não funcionou neste caso. Ninguém está contente ou satisfeito com o ocorrido. É por isso que uma revisão ampla dos procedimentos está sendo feita", disse a secretária.

No último dia 25, o nigeriano Umar Farouk Abdulmutallab tentou explodir o avião da Northwest, que viajava com 278 pessoas a bordo.

O grupo terrorista Al Qaeda na Península Arábica assumiu hoje a autoria da tentativa de atentado.

Abdulmutallab conseguiu embarcar apesar de seu nome fazer parte de uma lista de suspeitos de terrorismo e dos alertas feitos aos EUA por sua própria família em relação ao seu extremismo religioso.

Alguns congressistas americanos estão alarmados pelo fato de que, oito anos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, as medidas de segurança adotadas não foram capazes de frear as tentativas dos terroristas suicidas.

Com isso, o Comitê de Segurança Nacional do Senado americano anunciou hoje a convocação de uma audiência para janeiro de 2010 sobre as falhas de segurança que permitiram o embarque do nigeriano com explosivos em pleno dia do Natal.

O presidente do comitê, senador independente Joe Lieberman, e a republicana de maior categoria no órgão, senadora Susan Collins, explicaram em um comunicado conjunto que o objetivo da audiência, que ainda não tem data definida, é examinar as "vulnerabilidades" do sistema de vigilância aérea.

Ambos destacaram a necessidade de saber por que os nomes dos passageiros que viajam para os EUA não são devidamente cruzados com a base de dados do país sobre supostos terroristas.

Os congressistas também querem entender por que motivo apenas um reduzido número de passageiros passa pelo escaneamento completo do corpo - segundo eles, uma medida do tipo teria ajudado a detectar os explosivos que Abdulmutallab carregava e que, segundo o próprio, lhe foram fornecidos pela Al Qaeda no Iêmen.

O jornal "The New York Times" informou hoje que os EUA abriram no Iêmen uma "terceira frente" de luta contra a Al Qaeda diante do temor de que se transforme em outro reduto de terroristas, como o Afeganistão e o Paquistão.

No domingo, o presidente americano, Barack Obama, ordenou uma revisão de dois dos pilares do sistema de segurança aérea, o equipamento nos aeroportos e a lista de possíveis terroristas, que foi reduzida nos últimos anos diante de críticas de organizações de defesa dos direitos civis.

Hoje, Obama assegurou que ele e seu Governo não descansarão "até encontrar" os envolvidos na tentativa de atentado contra o voo da Northwest Airlines.

Em declarações à imprensa concedidas no Havaí, onde passa as festas de final de ano com a família, o presidente americano assegurou que o Governo dos EUA está fazendo tudo o que está ao seu alcance para manter a segurança dos viajantes nesta época.

"Esta tentativa (de ataque terrorista) serve para nos lembrar a grave ameaça contra nosso país", disse Obama.

Segundo o presidente americano, o Governo do país "intensificou a inspeção de passageiros e bagagens" e aumentou o número de policiais que viajam armados em voos para agirem no caso de um ataque.

Obama acrescentou que ordenou uma revisão do "sistema de lista de vigilância, porque embora o nome deste suspeito estivesse na lista, não aparecia como uma pessoa que deveria ser impedida de subir em um avião".

Enquanto isso, os aeroportos do país intensificaram as medidas de controle, o que levou os passageiros a sofrerem hoje com desgastantes e minuciosas revistas.

A Agência de Segurança no Transporte (TSA, na sigla em inglês) advertiu os viajantes que sua mobilidade dentro do avião e o uso de equipamentos eletrônicos podem ser limitados em alguns momentos do voo. Algumas companhias estão aplicando estas restrições na primeira e última hora de viagem.

A TSA informou nesta madrugada da detenção de dois homens que "agiam de maneira suspeita" em um voo que seguia para a cidade de Phoenix, no sudoeste dos EUA. Ambos foram liberados depois de um interrogatório.

Um dos dois homens, de aparência árabe, parecia estar vendo em um reprodutor de DVD imagens de uma explosão de um terrorista suicida - na verdade, era apenas o filme "O Reino" (2007), que fala de um atentado contra americanos no Oriente Médio.

Além disso, as autoridades detiveram ontem um passageiro de nacionalidade nigeriana de um voo da mesma rota do de Abdulmutallab e que ficou trancado no banheiro durante uma hora.

Após interrogar o passageiro, o Departamento de Segurança Nacional concluiu que a demora do homem se deveu apenas por ter se sentido mal. EFE pgp/bba

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