primeiros sinais de vida - Mundo - iG" /

Diamantes podem conter primeiros sinais de vida

Uma pesquisa do Museu de História Natural da Suécia e de uma universidade da Austrália afirmou que lascas minúsculas de diamantes, forjadas quando o planeta Terra ainda estava em seus primórdios, podem conter os primeiros traços de vida. As análises dos cristais mostraram a presença de uma forma de carbono geralmente associada com plantas e bactérias.

BBC Brasil |

As lascas foram encontradas dentro de cristais de zircônio, formados algumas centenas de milhões de anos depois da formação da Terra.

"Estamos todos um pouco céticos", disse Martin Whitehouse, um dos autores da pesquisa.

Escrevendo na publicação científica Nature, os pesquisadores explicaram que os resultados da pesquisa não são prova definitiva do início da vida, mas "não excluem" a possibilidade.

Se o carbono encontrado for mesmo derivado de organismos primitivos, as amostras encontradas pelo museu sueco poderiam significar que a vida surgiu 500 milhões de anos mais cedo do que se pensava, ou 4,25 bilhões de anos atrás. Estima-se que a Terra tenha cerca de 4,6 bilhões de anos de idade.

"Quando você examina os isótopos de carbono, eles podem ser interpretados como biogênicos, pois sabemos que processos biológicos geram isótopos de carbono leves. Mas, claro, existem outros processos que podem fazer isto acontecer", disse Whitehouse à BBC.

Austrália
Os minúsculos cristais de zircônio, de apenas 0,3 milímetros de largura, foram encontrados nos oeste da Austrália, nas Colinas Jack. Os cristais seriam os remanescentes de antigas rochas, desaparecidas há muito tempo.

"Não temos as rochas. Estes zircônios são apenas pequenos fragmentos de algo que foi quebrado, desgastado e depositado novamente como sedimento", disse Whitehouse.

Processos de datação radioativa sugeriram que alguns dos cristais foram formados até 4,4 bilhões de anos atrás.

Acreditava-se que nesta fase da história da Terra o início da vida seria impossível, pois as condições do jovem planeta não seriam propícias. Mas os zircônios das Colinas Jack parecem colocar em dúvida essa idéia.

Trabalhos científicos anteriores levantaram a possibilidade de que, no início de sua história, a Terra seria um local mais frio e molhado do que se pensava, pois os cristais mostram indícios de terem sido formados em um magma de baixa temperatura, que entrou em contato com a água.

A nova análise do diamante e dos vestígios nos cristais poderia dar uma base mais firme para esta teoria.

Fotossíntese
Os cientistas analisaram 22 inclusões em grafite e diamantes em 18 cristais de zircônio.

Os resultados mostraram que as cápsulas tinham níveis inesperados de uma forma mais leve, ou isótopo, de carbono, conhecido como carbono 12.

"A forma mais comum de formar carbono leve na Terra moderna é a fotossíntese", afirmou Alexander Nemchin, outro autor da pesquisa, da Universidade de Tecnologia Curtin, na Austrália.

Durante este processo os organismos, preferencialmente, extraem carbono leve, deixando as formas pesadas na atmosfera.

"Quando eles morrem, eles preservam aquela assinatura", afirmou.

Os resultados das experiências da equipe de pesquisadores mostram que as inclusões de carbono têm uma variedade de isótopos, o que sugere, segundo eles, que a reserva de carbono era "heterogênea".

Isto tudo teria sido enterrado, profundamente, para gerar as pressões extremas necessárias para se transformar em um diamante.

"Se esta é a matéria da vida - que, presumimos, teria se formado na superfície - então é necessário um processo para levar (os fragmentos) para baixo, cerca de 150 a 200 quilômetros", disse Whitehouse.

Mais antigo
No entanto, a equipe de pesquisadores admite que suas conclusões não são definitivas.

Atualmente o que se presume ser o sinal de vida mais antigo por alguns cientistas - cerca de 3,7 bilhões de anos - foi descoberto em uma área do oeste da Groenlândia, conhecida como Cinturão Isua.

Naquela área os traços químicos sugerem novamente a presença de formas de vida que faziam fotossíntese. Mas este sinal é visto em uma seqüência completa de rochas e não em cristais isolados.

Isto dá aos geólogos pistas a respeito do ambiente no qual as rochas foram colocadas e se elas teriam sinais de vida.

"O problema com as colinas Jack (na Austrália) é que não temos a rocha. Os isótopos de carbono, sozinhos, não são uma assinatura biológica distinta", afirma Whitehouse.

Alguns cientistas levantaram a possibilidade de que os diamantes apresentados possam ser resultado de contaminação, introduzida durante o polimento do zircônio.

"Se você analisar as fotos apresentadas, sempre verá estes diamantes em fendas, rachaduras e cavidades", disse o professor Minik Rosing, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Segundo o professor, se fossem características originais, pelo menos algumas delas estariam incrustadas na estrutura dos cristais.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG